Medicamentos não impedem a progressão da doença, mas podem retardar o aparecimento de sintomas
Fabiana Cimieri
Nos últimos anos, com os avanços no tratamento do Mal de Alzheimer, a sobrevida dos pacientes tem aumentado de 5 a 8 anos, para até 20 anos – embora esses casos ainda sejam raros. Pelo menos 21 novas drogas estão em fase de pesquisa clínica nos Estados Unidos. Algumas prometem interromper a progressão da doença.
Os medicamentos existentes no mercado ainda não são capazes de interromper a evolução do Alzheimer. No entanto, oferecem menos efeitos colaterais do que as drogas de primeira geração e podem retardar o surgimento de novos sintomas.
“O grande avanço no País é em relação ao gerenciamento de pacientes”, disse o geriatra Paulo Canineu, vice-presidente da Associação Brasileira de Alzheimer. Segundo ele, nos estágios leve e moderado da doença, as intervenções não-medicamentosas são tão ou mais importantes do que os remédios.
Atualmente, cerca de 1,2 milhão de brasileiros convivem com a doença, que cresce com o aumento da população idosa. Os primeiros sinais costumam surgir após 60 anos. Segundo o neurologista Paulo Henrique Bertolucci, diretor do Núcleo de Envelhecimento Cerebral da Universidade Federal Paulista (Unifesp), o risco de uma pessoa entre 60 e 70 anos ter Alzheimer é de 5% a 8%. Se tiver mais de 85 anos, 40%.
A doença ainda é pouco desvendada pela medicina. Não se sabe a causa. A genética explica apenas 5% dos casos. Há um grande investimento da ciência no diagnóstico precoce, mas ainda não existe nenhum exame ou marcador confiável. O médico diagnostica clinicamente, pelos sintomas, que na fase inicial podem se confundir com outros, típicos do envelhecimento, como dificuldades com a linguagem, desorientação de tempo e espaço e dificuldade para lembrar fatos recentes.
Existem dois tipos de medicamento para tratar o problema, que podem ser usados juntos ou separados: os anticolinesterásicos , que repõem acetilcolina – mediador químico cerebral da memória e aprendizagem – e os antiglutamatérgicos – que diminuem a sobrecarga de cálcio, reduzindo a morte dos neurônios. Mas esses medicamentos só funcionam em cerca de 50% dos pacientes.
“Os tratamentos não-farmacológicos, de resgate da memória com terapias e arte, têm boa resposta para retardar a evolução da doença”, afirma Canineu.
Há 12 anos trabalhando com pacientes que sofrem desse mal, a geriatra Daniela Simone, médica responsável por uma casa de repouso em São Paulo, conta que muitos doentes chegam ao Residencial Geriátrico sob forte efeito de calmantes.
Simone conta que é comum sua equipe suspender os remédios e o doente voltar a falar e interagir. “Muitas vezes a família sente culpa por colocar um parente na clínica, mas às vezes é o melhor a fazer. As equipes são acostumadas a lidar com o Alzheimer e há um estímulo grande de terapias não-farmacológicas”, afirma ela.
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