Alzheimer – Testamento de um idoso

Para quem cuida é necessário entender muitas coisas importantes.
por MaDiSanBrasil

ALZHEIMER-O QUE OS CUIDADORES DIRIAM-EM VOZ

Este vídeo é a pura ralidade e sinceramente, me comoveu muito. Só quem passa por isso sabe e sente tudo isso.

Autoria e Fomatação: Marília Bahr 2009

Sapatos com GPS para doentes com Alzheimer

FONTE: http://www.boasnoticias.pt

Com o objetivo de facilitar a vida dos doentes com Alzheimer e a dos seus cuidadores, duas empresas norte-americanas criaram um par de sapatos inovador, que permite localizar o utilizador em tempo real.

Depois de o seu desenvolvimento ter sido anunciado no primeiro trimestre deste ano, o novo calçado, batizado GPS Shoe, já recebeu a certificação da Federal Communications Commission (FCC) e está à venda nos EUA.

Os sapatos foram produzidos graças à Aetrex Worldwide, uma fabricante de calçado, e à GTX Corp, especialista em GPS (sistemas de posicionamento global) destinados a uso pessoal.

Além de proporcionarem conforto a quem os calça, distinguem-se por terem incorporado um “microchip”, que deteta a localização da pessoa que estiver a usá-los. De acordo com Andrew Carle, da GTX Corp, “o GPS Shoe tem o potencial de salvar vidas, além de ser uma tecnologia que mudará o quotidiano de quem sofre da doença e de quem presta cuidados aos doentes”.

Carle sublinha ainda que “os sapatos podem ajudar o Governo a poupar milhões de dólares em operações de busca e salvamento”, pelo que pode também trazer benefícios para a sociedade em geral.

A GTX Corp acrescenta que um sapato com localizador é uma opção funcional e segura, visto que, nos casos de Alzheimer, tende a não haver perda da memória procedimental. Ou seja, mesmo que, por exemplo, não reconheçam os membros da família, os doentes sabem que devem vestir-se e calçar-se e dificilmente sairão descalços.

O produto, resultante da parceria entre as duas empresas, está a ser comercializado desde meados de Outubro nos Estados Unidos, e custa 299 dólares (cerca de 214,5 euros). Porém, ainda não há previsão para a venda noutros países.

[Notícia sugerida por Elsa Martins]

Holanda faz primeira eutanásia em paciente com Alzheimer avançado

(AFP) –
HAIA — Uma pessoa sofrendo de Alzheimer em um nível muito avançado morreu por eutanásia na Holanda, no primeiro episódio do tipo no país, anunciou esta quarta-feira a Associação Holandesa por um Final Voluntário da Vida (NVVE).

“É verdadeiramente uma etapa importante: antes, os pacientes mortos por eutanásia se encontravam em um estado verdadeiramente precoce de demência, o que não era o caso desta mulher”, declarou à AFP Walburg de Jong, porta-voz da NVVE.

A legislação holandesa só autoriza a eutanásia quando o paciente manifesta o desejo em plena posse de suas faculdades mentais e padece de sofrimentos insuportáveis devido a uma doença diagnosticada como incurável por um médico.

A mulher, de 64 anos, originária do sul da Holanda, estava doente “há um longo tempo” e declarava “há vários anos” o desejo de morrer por eutanásia, segundo a NVVE.

Sua morte, em março, foi seguida de uma longa investigação, como determina a lei.

A Holanda foi o primeiro país do mundo a legalizar a eutanásia, em 1º de abril de 2002. Mas cada passo deve ser apontado a uma das cinco comissões encarregadas de verificar se os critérios da lei foram respeitados.

Vacina potente pode curar Alzheimer, diz estudo

Terra Notícias

Anticorpo teria que ser aplicado antes dos primeiros sintomas

Uma vacina potente, se aplicada antes do surgimento dos sintomas, pode prevenir o mal de Alzheimer. A injeção teria que ser dada nas primeiras fases da doença, segundo cientistas. As informações são do Daily Mail.
Ao impedir que a doença tome conta, os pesquisadores esperam abrir caminho para a erradicação completa. Pesquisadores da Universidade de Georgetown, em Washington DC, descobriram que se o anticorpo for dado muito tarde pode provocar inflamações no cérebro.Eles testaram um anticorpo chamado PFA1 em ratos criados com sintomas de Alzheimer.

O anticorpo foi projetado para limpar amilóide, uma proteína nos cérebros de pessoas com a doença. Embora o PFA1 tenha reduzido a quantidade de amilóide no cérebro, os ratos que tinham maior quantidade da proteína no cérebro no início do estudo foram mais propensos a mostrar sinais de inflamação após o tratamento.

Aqueles com menores níveis de amilóide não experimentaram o mesmo nível de inchaço e mostraram um benefício significativo da vacina.

Alzheimer é uma doença progressiva e física que afeta o cérebro, destruindo as ligações entre as células. Sinais iniciais incluem esquecimento, mas pode levar a uma mudança de personalidade completa e incapacidade de falar ou andar.

Ari Cunha – Visto, Lido e Ouvido – Correio Braziliense

» Clara Luz convidou Tulio Guimarães para dirigir um grupo de teatro diferente. Ninguém com menos de 55 anos faz parte do elenco. Pescadora de atores, Clara Luz andou pelas quadras da cidade convencendo idosos a participar do projeto. Tulio Guimarães baseia o roteiro das peças na vida dos próprios atores. É um programa de interação da terceira idade com a própria vida.

Alerta para diabetes

Autor(es): Leilane Menezes
Correio Braziliense – 15/11/2011

No dia mundial da doença, lembrado em mais de 160 países, dados do governo local revelam que o DF tem 60 mil dos 366 milhões de portadores do mal no planeta

O Dia Mundial do Diabetes foi lembrado ontem, em Brasília. A Catedral Metropolitana recebeu iluminação azul, às 20h. A marca da campanha da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), projetada no templo, é um círculo dessa cor, que representa a união da sociedade contra a doença. No sábado anterior, quem passou pela Rodoviária do Plano Piloto recebeu atendimento gratuito para medir o nível de glicose no sangue e teve orientações sobre alimentação e outros cuidados.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, divulgados no site da Secretaria de Saúde do DF, há pelo menos 60 mil portadores de diabetes tipos 1 e 2, no Distrito Federal (ver arte abaixo). Nem todos estão cadastrados para receber tratamento. Atualmente, mais de 366 milhões de pessoas convivem com o diabetes em todo o mundo. O tipo 2 responde por mais de 95% dos casos, de acordo com a Federação Internacional do Diabetes (IDF).

Causas
Há justificativas para o avanço desse mal. “O aumento de casos de diabetes, especialmente do tipo 2 em países em desenvolvimento, decorre de alguns fatores como aumento da obesidade, do sedentarismo, dos maus hábitos alimentares e do próprio envelhecimento da população”, explicou Walter Minicucci, vice-presidente da SBD e médico assistente da Disciplina de Endocrinologia da Unicamp.

No Brasil, um em cada 10 adultos é portador de diabetes tipo 2, segundo o Ministério da Saúde. Especialistas alertam para os riscos de não controlar a doença. O diabetes pode causar cegueira e até a amputação de membros, quando não é controlado. Os desdobramentos envolvem inclusive questões neurológicas. “O diabetes mata uma pessoa a cada 8 segundos e não discrimina. Ele acomete mulheres e homens, jovens e adultos, ricos e pobres. Em muitos casos, o cérebro também perde desempenho”, explicou o neurologista Ricardo Teixeira, em artigo publicado no blog Saúde para todos, da jornalista Maria Vitória, do Correio.

O médico chama a atenção para as possíveis complicações. “O impacto do diabetes sobre a função cerebral é maior em duas fases da vida: durante o desenvolvimento cerebral na infância assim como na velhice, quando o cérebro passa por alterações degenerativas. O diabetes é um dos reconhecidos fatores de risco para o transtorno cognitivo leve dos idosos, assim como para a demência vascular e a doença de Alzheimer”, alertou.

É possível perceber alguns sinais do diabetes, como sede excessiva, perda de peso, fome exagerada, cansaço sem explicação, má cicatrização e vontade de urinar com frequência anormal. A fórmula da prevenção é simples: exercícios físicos somados a dieta alimentar saudável. Além disso, aconselha-se controlar a pressão arterial e evitar bebidas alcoólicas e cigarro.

O Dia Mundial do Diabetes é marcado por ações em mais de 160 países. Desde 2007, a Organização das Nações Unidas (ONU) publicou uma resolução que fixou 14 de novembro como Dia Mundial do Diabetes. A escolha não foi aleatória. A intenção é lembrar o nascimento do cientista canadense Frederick Banting, que com Charles Best, teve a ideia que levou ao descobrimento da insulina, em 1922. No Brasil, as ações são coordenadas pela SBD.

Uma etapa difícil – Tania Maria Gurgel do Amaral

o Tania Maria Gurgel do Amaral - O Povo Online
MUDANÇAS… Eternas mudanças

A velhice é considerada uma etapa difícil pelas perdas estruturais- física, econômica e psíquica. Difícil porque mesmo que um idoso disponha de uma renda satisfatória, além de não se preparar para as mudanças oriunda pelo tempo, os filhos ou outros familiares não podem disponibilizar tempo integral para o acompanhamento das habilidades criativa e talentosa, como pela astúcia, desobediência, ranzinagem e outras características que fazem parte da personalidade do ser humano, mais acentuadas no estágio da “ envelhecência”.

Desconheço a aceitação de pessoas quando a idade passa a incomodar por questões dos anos vividos, também pela saúde e pela vaidade.

A cada dia minha convicção se amplia com respeito a preparação para o envelhecimento. É uma tarefa que tem de ser trabalhada por todos nós na tentativa de aceitar e tornar os costumes, os hábitos mais maleáveis, considerando os limites impostos pelas condições atuais e, acatar as recomendações, para que não soframos consequências desagradáveis e desastrosas.

Quem tem 65 anos, idade considerada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) é uma pessoa idosa, pessoa esta que tem que compreender e aceitar que muita coisa mudou. A alimentação, os exames controlados, as consultas periódicas e sistemáticas. A prática de atividades, física, criativa, talentosa e intelectiva, devem fazer parte do cotidiano além da música através do canto e da dança.

Quem se aposenta cedo e, não se prepara, vai se deparar com a malvada da ansiedade pela falta do que fazer, portanto, devemos nos conscientizar para que a prática de exercícios seja uma constante, para näo envelhecer as ideias buscando informações através dos meios de comunicação, a companhia dos amigos, membros da família, do bairro, da rua, da igreja, dos espaços que frequenta para se manter uma pessoa atualizada e sociável.

O que nossos avôs faziam e como se comportavam já é coisa do passado. Hoje é possível dizer que a Terceira Idade é um grupo muito diversificado devido a história de vida de cada um, suas experiências ao longo do tempo e da influência no local geográfico onde mora, condições sociais e culturais.

Na década de 90 quando comecei a escrever e trazer para o Jornal do Leitor assuntos pertinentes aos idosos, muitos apelidaram-me de “a mulher dos Velhinhos”, inclusive o grande Tarcísio Tavares que morreu desconhecendo a velhice, porque amava a vida e achava que velho era aquele que tinha estacionado no campo das ideias. Seus dias eram em busca de um aprendizado novo, da curtição das pilherias, enfim, seu tempo era usado para torná-lo cada vez mais autêntico, criativo, bem humorado e cercado de amigos.

Muitos que vivem a envelhecencia percebem que as preferências continuam, mas outras tantas opções estão disponíveis para escolha, vez que o progresso se mostra avançado nos campos da ciência e tecnologia.

Quem não acompanhar as mudanças pode ter a certeza de que sofrerá, pois as mudanças acontecem a todo instante, senão vejamos – a moradia (casa-apto) ; a moda (para estar elegante e com charme não é necessário as melhores modelos, as melhores grifes); a hospitalidade (antes as famílias recebiam convidados em suas residências, hoje os convidam para ir a um restaurante etc.) ; os serviços domésticos eram de fácil acesso ; as distâncias eram curtas ; o trânsito era livre, sem apito e xingamento ; a segurança existia e era tranquila e, se vivia mais em família.

Mudanças acontecem, principalmente na aparência quando despontam os fios grisalhos e as rugas marcadas pelo tempo. Mesmo com dificuldades os idosos do século XXI exibem disposição para continuar aprendendo e fazendo arte, aceitando desafios, compartilhando vivências saudáveis e prazerosas.

Em 2025 quero estar “vivinha da silva”, bem lúcida para acompanhar a inteligência dos homens que com a permissão dele , prometem revolucionar o cérebro e o coração dos seus moradores na Terra.

Tania Maria Gurgel do Amaral – tania.gurgeldoamaral@yahoo.com.br

Segurados já podem saber quando farão prova de vida

Segurados já podem saber quando farão prova de vida
Bancos antecipam a O DIA calendário de recadastramento dos aposentados do INSS
POR ALINE SALGADO

Rio – Já começou o processo de prova de vida nos bancos para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que recebem seus benefícios por meio de conta corrente e poupança. O DIA divulga como será o calendário de recadastramento e os detalhes do procedimento em cada uma das maiores instituições financeiras pagadoras.

Os segurados serão comunicados do recadastramento com mensagens nos caixas eletrônicos ou no rodapé da tela de saldo e extratos. A prova de vida é obrigatória e quem não se apresentar poderá ter o benefício suspenso.

Conforme O DIA antecipou, o Bradesco saiu na frente e já começou o recadastramento dos 6,7 milhões de segurados que recebem pela instituição. Os aposentados e pensionistas podem se apresentar em qualquer agência da rede, tendo em mãos identidade e cartão de benefício.

O Banco do Brasil prevê iniciar o processo no ano que vem, a partir de janeiro. Os segurados deverão levar identidade, CPF e comprovante de residência em qualquer uma das agências da rede.

Já Santander, HSBC e Caixa Econômica Federal começarão em março o processo de prova de vida. Segundo o Santander, os segurados serão convocados para o recadastramento a partir de janeiro e o primeiro grupo deve passar pelo procedimento no mês de março.

Já o Itaú ainda aguarda orientação sobre como proceder no caso dos procuradores dos beneficiários para dar início ao processo englobando todos os clientes.

Reajuste será decidido nesta semana

Centrais sindicais e entidades representativas dos aposentados e pensionistas se reúnem hoje com o relator-geral do Orçamento de 2012, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), para discutir o aumento real para os segurados do INSS que ganham acima do salário mínimo (R$ 545).

Na reunião, serão debatidas duas propostas de emenda ao orçamento. A do deputado Marçal Filho (PMDB-MS), pede o mesmo índice de reajuste do salário mínimo (13,61%). Já a segunda proposta, que prevê reajuste de 80% do PIB mais inflação (11,7%), é da coligação multipartidária encabeçada pelos deputados federais Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP) e Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), além do senador Paulo Paim (PT-RS).
A previsão é que a emenda do reajuste seja votada pela Câmara na quarta-feira. Presidente da Confederação dos Aposentados e Pensionistas, Warley Martins, antecipa que a Cobap não vai abrir mão de aumento acima da inflação.

Calendário

BRADESCO
O Bradesco já iniciou a prova de vida. Os segurados do INSS devem se dirigir a qualquer agência da rede tendo em mãos identidade e cartão do benefício.

BANCO DO BRASIL
A partir de janeiro de 2012 os segurados deverão se apresentar com identidade, CPF e comprovante de residência a qualquer uma das agências da rede.

CAIXA
A convocação dos beneficiários será via mensagem nos rodapé dos extratos e saques realizados. A partir de março o segurado terá de se apresentar a qualquer agência para fazer a prova de vida e terá um mês para realizar o procedimento. Será preciso apresentar o cartão da conta e a identidade.

SANTANDER
A partir de janeiro, quem recebe pelo banco será comunicado do recadastramento através dos canais de relacionamento da instituição. O recadastramento começará em março e será preciso levar apenas um documento de identidade nas agências.

HSBC
O banco iniciará o processo em março, mas a comunicação será realizada via mensagens em Caixas Automáticas, a partir de janeiro. Os correntistas realizarão a prova de vida no mês do aniversário.

ITAÚ
Ainda não há data para que o Itaú inicie o procedimento. O banco aguarda orientação sobre como proceder no caso dos procuradores.

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Cresce número de contratos de empréstimo consignado entre aposentados e pensionistas

Agência Brasil
O consignado é a modalidade de crédito que cobra as menores taxas de juros do mercado. A taxa medida em setembro foi 28% ao ano, enquanto a taxa média das demais modalidades de crédito pessoal ficou em 68,1%, como mostra relatório do Departamento Econômico do Banco Central (BC) sobre operações de crédito do sistema financeiro.

7 de novembro de 2011 – Aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) contrataram R$ 2,362 bilhões em empréstimos bancários no mês de setembro, com desconto direto no salário ou pensão. Houve aumentos nominais de 19,51% em relação aos empréstimos consignados em setembro do ano passado e de 3,41% comparado a agosto deste ano, de acordo com números divulgados hoje pelo Ministério da Previdência e Assistência Social. No período, foram realizadas 750.981 operações de crédito consignado para aposentados e pensionistas.

O consignado é a modalidade de crédito que cobra as menores taxas de juros do mercado. A taxa medida em setembro foi 28% ao ano, enquanto a taxa média das demais modalidades de crédito pessoal ficou em 68,1%, como mostra relatório do Departamento Econômico do Banco Central (BC) sobre operações de crédito do sistema financeiro.

A procura pelo crédito com desconto no salário é crescente em todas as categorias de trabalhadores, apesar de a procura maior, até agora, ter sido por servidores públicos federais, estaduais e municipais. O estoque de empréstimos consignados em setembro, no valor de R$ 155,141 bilhões, representava 58,9% de todos os créditos pessoais. Do total, R$ 132,998 bilhões referiam-se a operações com servidores públicos, aí incluídos os benefícios do INSS, e R$ 22,143 bilhões foram tomados por trabalhadores da iniciativa privada.

Mesmo sendo uma linha de crédito barata e de relativo fácil acesso, há limites para a contratação do empréstimo consignado com o objetivo de evitar o endividamento excessivo do trabalhador. O tomador do empréstimo só pode contratar até 30% de sua remuneração líquida. Se ele tiver cartão de crédito, a margem consignável para empréstimo pessoal cai para 20%.

Principais medidas do plano anticrise adotado pela Itália

(AFP) ROMA — O plano de ajustes, aprovado esta sexta-feira pelo Senado da Itália e que deverá ser ratificado definitivamente este sábado pela Câmara dos Deputados, inclui medidas importantes para combater a crise econômica e reduzir a colossal dívida pública do país, de 1,9 trilhão de euros.

Segue uma lista dos principais pontos do plano, que propõe cortes de gastos públicos, reforma no sistema de aposentadorias, privatização de empresas públicas e enxugamento da máquina pública.

Estabelece, ainda, medidas para estimular o emprego e aumentar o crescimento econômico, quase nulo nos últimos 10 anos.

O pacote de medidas não inclui a reforma dos contratos de trabalho para facilitar as demissões, uma medida criticada pelos sindicatos, em particular a maior central sindical do país, CGIL.

- VENDA DE PROPRIEDADES PÚBLICAS:

A Itália venderá boa parte do seu patrimônio imobiliário, quase todo nas mãos do Exército, bem como terrenos agrícolas para reduzir a enorme dívida pública, que corresponde a 120% do PIB.

Silvio Berlusconi informou, em outubro, que o volume destes cortes deve alcançar 15 bilhões de euros em três anos. Os investidores poderão adquirir tais bens com títulos da dívida.

- PRIVATIZAÇÕES:

As autoridades regionais e municipais poderão iniciar a privatização de empresas públicas, entre elas as de energia, transportes, aquedutos e lixo.

- PENSÕES:

A idade para a aposentadoria será atrasada para 67 anos em 2026 (contra 65 anos, atualmente). a norma confirma medidas já adotadas, devido ao aumento da expectativa de vida.

- ENXUGAMENTO DA MÁQUINA PÚBLICA

O objetivo é reduzir a burocracia, um dos grandes males da Itália, e estender a toda a península zonas com “burocracia zero” para que as empresas de dirijam a um único escritório para realizar todos os trâmites.

Da mesma forma, será simplificada a papelada no âmbito da justiça civil.

- EMPREGO:

Serão dados incentivos fiscais para reduzir o desemprego de jovens e será favorecida a contratação de recém-formados, o horário reduzido e o trabalho à distância com meios telemáticos.

- DESENVOLVIMENTO DE INFRAESTRUTURA:

Deduções fiscais e compensações às empresas por participar da construção de novas auto-estradas e infraestruturas com a finalidade de estimular o crescimento da economia.

- FUNÇÃO PÚBLICA

Maior flexibilidade para os funcionários públicos que trabalharem em escritórios com excesso de pessoal. Receberão uma indenização por dois anos de 80% do salário por aceitar a transferênci

Trabalho em família

Autor(es): Por Guilherme Meirelles | Para o Valor, de São Paulo
Valor Econômico – 11/11/2011

Já foi o tempo em que falar de previdência era conversa de velho. Preocupados com o futuro de seus descendentes em uma época em que os ciclos de instabilidade econômica se tornam mais frequentes, famílias buscam nos planos de previdência privada alternativas seguras para garantir a educação dos filhos. Lançados no fim da década de 90, os chamados planos para menores de idade crescem a olhos vistos e hoje ganham espaço na carteira de investimentos dos brasileiros, não apenas por sua finalidade, como também pelos benefícios fiscais e tributários na hora de acertar as contas com o Leão.

De acordo com dados da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), os planos voltados para jovens crescem em média 20% ao ano. E já representam 3,27% do total de depósitos realizados nos primeiros meses de 2011. Pode parecer pouco em um universo onde predominam os planos individuais voltados para aposentadoria e os planos empresariais. Mas, há que se considerar que o “boom” dos planos começou apenas por volta de oito anos atrás, quando entraram em vigor as regras que criaram os produtos Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) e Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL). O primeiro, indicado para quem faz a declaração simplificada ou é isento do Imposto de Renda, e o segundo, opção melhor para quem faz a declaração completa, sendo dedutível em até 12% da base tributável.

Assim, passou a ser interessante ao pai que é contribuinte incluir o filho como beneficiário de um plano de previdência ou até mesmo abrir um plano em nome do menor, o que garante um desconto na declaração até ele completar 21 anos, ou até mesmo 24 anos, caso esteja cursando uma faculdade. “Este benefício, aliado aos objetivos do plano, proporcionaram um apelo de marketing forte por parte das instituições financeiras”, afirma Renato Russo, vice-presidente da Fenaprevi.

Para o executivo, o plano está ligado diretamente ao conceito de educação financeira, na medida em que o objetivo primordial é garantir a formação educacional. E com um diferencial dos planos convencionais de aposentadoria. “Nos planos para jovens, você pode agregar outros produtos de cobertura de risco, como pecúlio (pagamento do benefício em caso de morte do responsável) ou uma pensão mensal até a data prevista para encerramento das contribuições do plano, em caso de falecimento do pai”, diz.

No momento da contratação de um plano para o filho, o pai deve ter bem claro o período em que estará fazendo os seus aportes e a data de concessão do benefício (chamado período de diferimento). Por exemplo, um pai decide abrir um plano para o filho que nasceu em 9/11/2011, e fixa como data de recebimento do benefício o ano de 2032, quando ele tiver 21 anos.

O valor almejado para a época é de R$ 250 mil, com rendimento anual de 9%. Para alcançar este objetivo, ele terá de fazer aportes mensais médios de R$ 368,00, sendo que estes valores podem sofrer alteração conforme o plano escolhido. Sim, por que os planos de previdência são atrelados a fundos de investimentos geridos pelas próprias instituições. Esses fundos podem ser conservadores (compostos por 100% de renda fixa), moderados (em torno de 15% de renda variável) ou agressivos (com até 49% de renda fixa, conforme a instituição). “Mas a maior concentração fica nos planos apoiados por renda fixa. Na hora de administrar os recursos dos filhos, os pais são mais conservadores”, afirma Edson Lara, diretor de seguros do HSBC.

A mesma situação se observa junto aos clientes do plano Crescer, da Caixa Seguros. “Mais de 70% dos clientes estão em produtos de renda fixa”, afirma Juvêncio Braga, diretor de previdência.

Empenhados em conquistar novos clientes, os bancos não economizam em soluções criativas. Com uma carteira de aproximadamente 400 mil planos para menores, o Itaú desenvolveu um produto batizado como Fases da Vida, no qual a composição dos recursos é alocada em renda fixa e variável conforme vai se aproximando a data final do plano. “Como é um investimento de longo prazo, você sempre tem tempo de recuperar eventuais perdas no meio do caminho”, afirma Osvaldo Nascimento, diretor executivo de produtos de investimento e previdência do Itaú-Unibanco.

Disposto a investir nesse nicho, o Icatu vai lançar em dezembro o plano Prev Junior, com duas modalidades de fundos, visando atingir o público capaz de pagar um tíquete mensal de R$ 150. Segundo Plínio Sales, diretor de previdência do Icatu, estudos feitos pela companhia apontam que a tendência dos pais é abrir um plano a partir da idade de 3 anos, o que garante para a instituição a manutenção do cliente por pelo menos 20 anos.

Segundo Carolina de Molla, diretora de pessoas e previdência da SulAmérica, a idade média das crianças para contratação do plano Educaprev gira em torno de 7 anos. Lançado em 2008, o plano teve crescimento de 53% entre janeiro e agosto, comparado com igual período de 2010. Entre os diferenciais, diz Carolina, está o serviço agregado Escola On Line, que fornece conteúdo interativo na internet para diversas idades, até o período pré-vestibular.

Todas as instituições enfatizam que se trata de um investimento de longo prazo. No caso dos planos de previdência, não compensa fazer retiradas em curto ou médio prazo, por conta da tributação.

Pacientes com Alzheimer se beneficiam muito com uma visita dos familiares

FONTE: Blog Familiares e Cuidadores de Doentes de Alzheimer, mantido por Alunos de Mestrado em Biomedicina Molecular da Universidade de Aveiro.

Uma simples visita ou telefonema de membros da família pode ter uma influência positiva sobre a felicidade de um paciente, embora ele possa esquecer rapidamente a visita ou a ligação

Eles podem esquecer rapidamente… Mas uma visita a um parente idoso com Alzheimer vai deixá-lo com um sentimento permanente de felicidade. Esta é a descoberta de um estudo realizado por Justin Feinstein, da Universidade de Iowa, publicado na Proceedings Of The National Academy Of Sciences , que pode ter implicações importantes para pessoas com a doença de Alzheimer e seus familiares.

Segundo o autor do estudo, muitas vezes, os membros da família se perguntam se vale a pena fazer uma visita ou um telefonema para um parente mais velho com demência, pois o teor da conversa é esquecido rapidamente. O que Feinstein descobriu é que a lembrança da visita é apagada da mente, mas os sentimentos “bons e quentes” provocados pela visita fazem o doente sentir que vale a pena viver.

Para chegar a tal conclusão, Feinstein e sua equipe estudaram as reações de cinco pacientes neurológicos com danos no hipocampo, uma parte do cérebro crítica para a transferência de memórias de curto prazo para longo prazo. Danos no hipocampo provocam um tipo de amnésia que é frequentemente um sinal inicial de Alzheimer e podem ser resultado também de um acidente vascular cerebral ou de epilepsia.

Os pacientes pesquisados foram expostos a clipes de 20 minutos de filmes, intensamente emocionais: alguns felizes, outros tristes. Ao assistirem às cenas, os pacientes demonstraram emoções apropriadas e condizentes com o que estavam vendo, assim, ora havia risos, ora lágrimas.

Embora os doentes logo tivessem esquecido o que tinham visto, as perguntas sobre seus sentimentos revelaram que as emoções provocadas pelos clipes ficaram retidas por muito mais tempo.

Segundo Justin Feinstein, muitas vezes, a negligência afetiva do cuidador do idoso e dos familiares pode deixar o paciente triste, frustrado e solitário, mesmo que ele não se lembre exatamente o porquê.

“A pesquisa é uma prova clara de que as razões para tratar os pacientes com Alzheimer com respeito e dignidade vão além da simples moral humana”, diz a médica Vanessa Morais, diretora da VRMedCare, empresa especializada em cuidados domiciliares na terceira idade.

Pesquisas anteriores já haviam mostrado que as interações sociais regulares reduzem o risco de desenvolvimento de demência. “Esta nova pesquisa sugere que é preciso começar a definir um novo padrão de cuidados para pacientes com distúrbios de memória. O estudo confirma uma observação da nossa prática clínica: indíviduos com demência que vivem em ambientes tranquilos tendem a ter comportamentos menos inadequados e agressivos “, defende a médica.

Lidando com o diagnóstico de Alzheimer

Quando o idoso é diagnosticado com a doença de Alzheimer, a notícia pode ser assustadora não só para o indivíduo, mas também para os seus familiares, principalmente para os que geralmente cuidam deste idoso.

“É normal que tanto o idoso como seus familiares passem por uma diversidade de emoções e sentimentos tais como medo, frustração, negação, constrangimento, culpa, tristeza e raiva”, explica a médica Renata Diniz, que também dirige a VRMedCare empresa especializada em cuidados domiciliares na terceira idade.

É normal que os familiares se preocupem não só com as alterações já existentes no idoso, mas que também fiquem ansiosos quanto ao futuro. “Assim, quando uma pessoa é diagnosticada com a doença de Alzheimer é importante que tanto esta pessoa, como os seus familiares aprendam mais sobre a doença”, recomenda Renata Diniz.

Segundo a médica, é preciso que todos os familiares e os que cuidam do idoso saibam:

• Como a doença afeta o doente?;
• Que alterações esperar no comportamento do doente, ao longo do tempo?;
• O que podem fazer os familiares e cuidadores para auxiliar a manter a qualidade de vida e a independência do doente?

Manutenção dos laços afetivos

Renata Diniz, reforça que, embora, muitas vezes, os doentes com Alzheimer não reconheçam quem os visita, o contato humano é muito importante para eles.

“No entanto, como em qualquer tipo de demência, os doentes com Alzheimer apresentam alterações comportamentais, principalmente na interação com outras pessoas. Portanto, é muito importante se preparar bem para visitar o familiar ou o amigo com Alzheimer, buscando saber mais sobre a doença e informando-se sobre que atitudes tomar durante a visita”, aconselha a médica.

A seguir, a médica enumera algumas dicas úteis na preparação de uma visita ao doente com Alzheimer:

• Um aspecto importante é informar-se junto aos familiares e/ou cuidadores qual o melhor momento do dia para fazer a visita;
• O modo como você fala com o doente com Alzheimer e a linguagem corporal também são essenciais. Durante a visita, você deve manter-se calmo, evitando elevar o tom de voz, falando lentamente e de forma clara. Se o doente aparentar não compreender bem o que você diz, ao invés de repetir, diga o mesmo, mas com palavras diferentes e frases mais curtas;
• Evite fazer perguntas ou então faça as que podem ser respondidas com “sim” ou “não”. Se o doente ficar frustrado por não conseguir responder, não insista;
• Fale normalmente com o doente e nunca como se ele fosse uma criança. Estabeleça contato visual com o doente e chame-o pelo nome, quando quiser chamar a sua atenção;
• É essencial respeitar o espaço do doente, evitando chegar muito perto deste;
• Se durante a visita, o doente parecer não o reconhecer, relembre-o quem você é, e, acima de tudo, nunca considere pessoal o fato do doente não o reconhecer, ser indelicado e até mesmo responder com raiva;
• Não discuta com o doente caso ele se mostre muito confuso. Em vez disso, tente distraí-lo, conduzindo a conversa para outros temas;
• Tente não usar frases como “Você se lembra de…”. Ao invés disso, leve consigo objetos – como, por exemplo, fotografias – que possam suscitar memórias no doente e sobre os quais vocês possam falar;
• Não se preocupe se a conversa com o doente não fizer muito sentido, nem corresponder à verdade;
• Se o doente começar a ficar muito agitado, despeça-se e termine a visita. Por vezes, estes doentes não toleram mais do que 15 a 20 minutos de visita.

Jeitinho da Fifa para a venda de ingressos

Autor(es): Erich Decat
Correio Braziliense – 09/11/2011

Número dois da entidade máxima do futebol propõe uma cota de 10% das entradas a preços populares destinadas a idosos, estudantes e minorias.

Considerado por muitos como um verdadeiro craque na hora de lutar pelos interesses da Fifa, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, defendeu ontem uma proposta que nada mais é que um verdadeiro “jeitinho”, à francesa, para driblar as leis brasileiras que tratam da meia-entrada. Em audiência realizada na Comissão Especial da Câmara — que debate o projeto da Lei Geral da Copa de 2014 —, o número dois na hierarquia da Fifa sugeriu a criação de uma cota de 10% para ingressos populares no Mundial.

A medida, na prática, impede o uso das famosas “carteirinhas”, que dão direito à metade do preço na hora da compra dos bilhetes. Na avaliação do cartola, cerca de 3 mil torcedores brasileiros deverão ter acesso a ingressos no valor de US$ 25 (R$ 44), apenas para os jogos da primeira rodada. Para as partidas de abertura e da final, deverá ser avaliado um novo percentual de entradas populares. O valor máximo a ser pago para quem quiser assistir aos jogos nos estádios deve chegar a US$ 900 (R$ 1.566).

Dentro da cota defendida pela Fifa estariam, entre outros, estudantes, idosos e representantes de minorias, como indígenas e beneficiários do Bolsa Família. O “jeitinho” encontrado pelo francês está justamente no caso das pessoas maiores de 60 anos. O Estatuto do Idoso garante a meia-entrada em eventos artísticos em todo o país, o que, em tese, se estende aos jogos da Copa. No caso dos jovens, as regras variam em cada unidade da Federação.

Ao longo das discussões com os deputados, o dirigente francês tentou amenizar o clima de confronto e afirmou que a Fifa e o Brasil devem trabalhar em conjunto pela realização do evento. Apesar do tom ameno inicial, não poupou críticas quando o assunto foi o atraso nas obras de mobilidade urbana nas cidades sedes. Com exemplo, ele citou o caso de São Paulo, onde será disputada a partida de abertura do Mundial. “Se deslocar por São Paulo é um pesadelo”, afirmou. Com alternativa para melhoria no tráfego nos dias dos jogos, Valcke defendeu que seja tomada a mesma medida adotada na África do Sul: férias escolares no período da Copa. “A Copa das Confederações (em 2013) será um grande teste para nós, mas será tarde para fazer qualquer mudança fundamental”, ponderou.

Cerveja
Criticado por alguns parlamentares em relação à tentativa da Fifa em impor regras ao país, Valcke por várias vezes recorreu ao discurso de que tudo o que está sendo cobrado agora é o que havia sido acordado com o governo Lula, quando o país foi escolhido para sediar a Copa. O documento, revelado com exclusividade pelo Correio no último dia 25, está dividido em 11 garantias e trata de trâmites como a entrada e a saída do país; a permissão de trabalho; as facilidades alfandegárias; a isenção de impostos; entre outros.

Nas garantias, também está prevista a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, o que é vetado pelo Estatuto do Torcedor. Questionado sobre a proibição prevista em lei, Valcke subiu o tom ao defender o consumo de álcool nas arenas esportivas. “A Fifa não está aqui para embebedar as pessoas”, afirmou.

Melhor em Casa e SOS Emergências

Melhor em Casa e SOS Emergências representam mudança de atitude em relação à saúde pública, diz presidenta em pronunciamento
Blog do Planalto – 08/11/2011

Em pronunciamento transmitido hoje (8) em rede nacional de rádio e televisão, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que os programas Melhor em Casa e SOS Emergências representam uma nova atitude do governo federal, estados e municípios em favor de uma saúde pública de mais qualidade no Brasil. Ao propor um pacto republicano para melhorar a gestão e qualidade do atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS), a presidenta afirmou que, da parte do governo federal, essa parceria significa uma lição de humildade e coragem.

“Humildade para reconhecer que a situação da saúde pública não está boa e precisa melhorar. Coragem, porque estamos atraindo para nós a responsabilidade de liderar esse processo”, disse a presidenta.

Segundo ela, os dois programas são importantes e de implantação complexa, que demanda tempo, dedicação e recursos. O Melhor em Casa, explicou Dilma Rousseff no pronunciamento, vai ampliar o atendimento domiciliar às pessoas com necessidade de reabilitação motora, idosos, pacientes crônicos sem agravamento ou em situação pós-cirúrgica, por exemplo. Elas terão assistência multiprofissional gratuita em seus lares, com cuidados mais próximos da família.

Já o SOS Emergências prevê medidas para melhorar a gestão e o atendimento nas emergências de 11 grandes hospitais do SUS, mas a meta é alcançar, até 2014, os prontos-socorros de 40 hospitais.

“Não vão resolver da noite para o dia todos os problemas do atendimento médico, mas irão contribuir para dar um tratamento mais digno e mais humano aos usuários da rede pública de saúde.”

A presidenta Dilma acrescentou ainda que, por meio do SOS Emergências, o governo pretende intervir de forma gradativa, porém decisiva onde muitos governos evitam assumir a responsabilidade direta: a emergência dos grandes hospitais públicos.

“Já ouvi de algumas pessoas que seria como enxugar gelo, pois se trata um esforço de 24 horas por dia que pode ser prejudicado por um único erro. Para nós é mesmo necessário um esforço de 24 horas e cada erro será mais um motivo de superação”, disse. “A orientação clara é fazer mais com o que temos e não ficarmos de braços cruzados esperando que os recursos caiam do céu.”

França anuncia corte no orçamento e mudança na idade para aposentadoria

O Globo

O primeiro-ministro francês, François Fillon, anunciou nesta segunda-feira planos para mais economias orçamentárias de 7 bilhões de euros em 2012 e de 11,6 bilhões de euros em 2013. A segunda maior economia da zona do euro busca proteger sua nota de classificação de risco de crédito, hoje em “AAA” (grau máximo), e evitar a pressão dos mercados financeiros, que agora está afetando a Itália.

Segundo o primeiro-ministro, os salários do presidente e dos ministros de governo vão ser congelados como parte do plano de economia do setor público.

A palavra “falência” não é mais “uma palavra abstrata” e a soberania financeira, econômica e social exige “esforços coletivos e prolongados e mesmo alguns sacrifícios”, declarou o premier. “O tempo chegou de fazer ajustes aos esforços da França. Com o presidente da República, nós temos somente um objetivo, que é o de proteger os franceses contra dificuldades graves que encontram atualmente diversos países europeus”, ressaltou Fillon, segundo o jornal francês “Les Echos”.

Para realizar esses esforços, “é impensável fazê-lo aumentando exclusivamente os impostos, como sugere a oposição. Isso faria triplicar o imposto de renda ou dobrar o imposto de valor agregado. Não há outra solução a não ser reduzir as despesas e fazer um ajuste fiscal”, disse.

Entre as medidas anunciadas, estão a antecipação da elevação da idade mínima para aposentadoria, que passa de 60 anos para 62 anos em 2017, um ano antes do que o planejado.

Além disso, o teto do reembolso de despesas de campanhas eleitorais e de ajuda a partidos políticos será reduzida em 5%.

Uma sobretaxa excepcional sobre as empresas de 5% foi criada para empresas que declaram uma receita de mais de 250 milhões de euros por ano. Essa medida, de natureza excepcional, será aplicada até o retorno do déficit público abaixo de 3% e se reportará ao imposto pago em 2012 e 2013 para os exercícios de 2011 e 2012.

Fillon disse que a meta é economizar mais 65 bilhões de euros até 2016, a fim de abrir caminho para as metas francesas de reduzir o déficit público a zero nesse período.

O equilíbrio orçamentário foi uma promessa do presidente da França, Nicolas Sarkozy, feita a um ano das eleições presidenciais que ocorrem em 2012.

Esse foi o segundo pacote de medidas emergenciais para o orçamento público em três meses.

O plano também inclui uma alta temporária de 5% em impostos para empresas com capital de giro superior a 250 milhões de euros, e uma elevação na cobrança de imposto de valor agregado para 7%, contra 5,5%, com exceção de produtos de primeira necessidade.

O Globo

Europa serve de alerta

O Globo – 31/10/2011

Apopulação do planeta acaba de atingir a casa de 7 bilhões de habitantes, segundo estimativas das Nações Unidas, mas o Brasil já não é um dos responsáveis por esse crescimento demográfico. O censo de 2010 comprovou que a taxa de aumento populacional no país está mesmo diminuindo, situando-se em torno de 1% ao ano.

As projeções variam quanto ao ponto de inflexão na curva da população do país, mas é bem provável que ocorra entre 2030 e 2040, sem que tenha chegado a atingir 220 milhões de pessoas (talvez a barreira de 200 milhões seja alcançada na segunda metade desta década).

Esse ponto de inflexão, quando a população começará a diminuir lentamente, coincidirá com outro fenômeno: o número de idosos (mais de 65 anos, pelos conceitos atuais) terá superado o de crianças.

Serão muitas as implicações desse futuro perfil demográfico no cotidiano da população, o que exigirá mudanças substanciais nas políticas públicas. Algumas delas terão que ocorrer de imediato, como é o caso da previdência social, cujas regras se baseiam em um perfil demográfico que não condiz mais com a realidade, causando distorções que só tendem a se agravar com o passar dos anos.

Enquanto os países de economia avançada têm ajustado a idade mínima das aposentadorias ao aumento da expectativa de vida dos seus cidadãos, no Brasil nem se estabeleceu esse piso no regime geral da previdência (INSS). Isso faz com que o número de aposentados e pensionistas que se aposentam por tempo de contribuição (35 anos para os homens e 30 anos para as mulheres) cresça em termos absolutos e relativos. Do contingente que se aposentou em 2010, a idade média dos homens foi de 54 anos, e das mulheres, 51. Ambos muito jovens do ponto de vista de um sistema de previdência. Não fosse o fator previdenciário, que ajusta o valor das aposentadorias ao total de anos prováveis de pagamento (conforme a expectativa média de vida da população), o déficit da previdência no regime geral seria bem maior que os R$40 bilhões anuais por ora registrados.

Muitas pessoas que se aposentam precocemente por tempo de contribuição continuam no mercado de trabalho. Os benefícios do INSS são vistos como complemento de renda, de modo que o redutor do valor da aposentadoria decorrente do fator previdenciário não chega a inibi-los.

Como a aposentadoria é irreversível, ao continuarem no mercado de trabalho tais aposentados permanecem contribuindo para a previdência sem que isso lhes proporcione benefícios futuros. E a soma dos rendimentos pode levá-los a recolher mais Imposto de Renda. O grau de arrependimento é traduzido pelo elevado número de tentativas de “desaposentadoria” por via judicial, já na casa de centenas de milhares.

Para se evitar essa confusão, as regras da previdência social precisam ser atualizadas, incluindo uma idade mínima (ajustável, conforme o aumento da expectativa de vida) para aposentadorias, além do tempo de contribuição. Pensões por viuvez deveriam considerar certas questões (idade dos pensionistas, existência de filhos e dependentes menores etc.).

Sem esse tipo de mudança, a previdência social será uma fonte permanente de problemas, uma ameaça constante às finanças públicas. A grave crise pelo qual vêm passando países europeus, na qual tem se sobressaído o déficit de seus sistemas de previdência, deve servir de alerta para o Brasil.

CHEGOU O BEBÊ Nº 7 BILHÕES

7 bilhões de oportunidades
Veja – 31/10/2011

Prestes a vir ao mundo, o bebê de número 7 bi é símbolo de um enorme grupo que vai subir na vida e mudar a face do planeta

O americano Paul Ehrlich, autor do best-seller A Bomba Populacional, já teorizava sobre a superlotação da Terra havia pelo menos uma década quando esteve na Índia, em 1966. Em
um diário, ele deixaria registrado todo o seu espanto: “Só entendi realmente o conceito de explosão popu1aciona1 depois de ver aquela multidão se acotovelando nas ruas de Délhi”. Na Índia observada por Ehrlich viviam então 500 000 pessoas. Hoje, elas são 1,2 bilhão. Em nenhum outro lugar do planeta nasce tanta gente, 21 % de todos os bebês – o triplo do número da China e dez vezes o brasileiro. Por uma questão de probabilidade, portanto, a Organização das Nações Unidas (ONU) escolheu a Índia como palco de uma marca histórica para a humanidade. É ali que deve nascer o habitante de número 7 bilhões, aguardado para a próxima segunda-feira, 31, quando os relógios brasileiros marcarem 11h51, segundo as projeções. Mais do que cravar uma ordem de grandeza impressionante – em menos de um século, a população quase quadruplicou –, o novo inquilino da Terra é emblemático de um mundo em que a espécie humana tem sido extremamente bem-sucedida diante das adversidades.

Pelos cálculos da ONU, feitos com base em um gigantesco banco de dados alimentado pelos registros civis de 194 países, o mais provável é que seja um menino e nasça em Uttar Pradesh, província no norte da Índia onde os indicadores são piores do que os do estado de Alagoas e na qual vive mais gente do que em todo o Brasil. Deve ser filho de pais analfabetos que não ganham mais do que 550 dólares por ano. Pois o destino que os demógrafos, mesmo os mais céticos, traçam para o nosso bebê tem tudo para ser mais próspero. Na idade adulta, ele provavelmente terá deixado para trás as questões básicas da sobrevivência e estará às voltas com preocupações tais como investir em sua formação, comprar um carro ou uma casa e proporcionar aos filhos o melhor. De acordo com um estudo do banco Goldman Sachs, são de 87% as chances de esse menino se tornar um integrante da classe média que brota em países emergentes, especialmente nos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), em escala sem precedentes. Esse grupo, que na definição da OCDE abriga gente com renda diária entre 10 e 100 dólares, é hoje composto de 2 bilhões de pessoas. Até 2024, ele deve dobrar de tamanho, alastrando-se a um ritmo que é quinze vezes o da população como um todo. “Estamos diante de uma transformação que tende a mudar radicalmente a face do planeta”, diz a economista Anna Stupnytska, do Goldman Sachs.

O novo relatório do Fundo da População da ONU (Fnuap), divulgado na semana passada, enfatiza os avanços. Embora a pobreza ainda assole 67% da população e persistam desigualdades gritantes, a melhoria nas condições de vida é palpável. Entre 1999 e 2011, breve período que separa o bebê de número 6 bi do de 7 bi, a mortalidade infantil caiu de 51 para 42 óbitos a cada 1 000 nascimentos e as pessoas passaram a viver mais e melhor. Nesse mesmo intervalo, mais de 700 000 pessoas foram guindadas da miséria absoluta, zona onde passam a fome e toda espécie de precariedade que torna a vida humana semelhante à de qualquer animal. A ONU adverte que esse estrato continua povoado por 1 bilhão de habitantes, ou 15% de toda a população – fato que dá a dimensão do salto ainda por ser dado.

Desde o século XIV, quando a peste negra varreu populações inteiras do continente europeu, o número de pessoas no planeta só cresceu. Se a humanidade levou milhares de anos para chegar ao seu primeiro bilhão, em 1800, dos anos 60 em diante vem adicionando essa multidão de gente a cada década. Para se ter uma ideia, pessoas hoje na faixa dos 80 anos viram a população mais do que triplicar. A velocidade só agora começa a diminuir, em razão da acentuada queda nos índices de fecundidade. Há quatro décadas, cada mulher tinha entre cinco e seis filhos, quando hoje a média é de dois a três. Em mais de um terço do globo, sobretudo na parcela mais rica. o número já está abaixo de 2,1, a chamada taxa de reposição. Significa que, em duas ou três décadas, a população desses países começará a encolher. É algo que só deve se reproduzir em dimensões planetárias lá para 2100, ano em que, segundo as projeções da ONU, a Terra terá completado seu décimo bilhão de habitantes.

Esse tipo de previsão sempre suscitou visões catastrofistas acerca do futuro da humanidade. O mais notório dos pessimistas, o economista inglês Thomas Malthus, apregoava no século XIX que, quanto mais gente houvesse no mundo, mais fome, miséria, epidemias e guerras se propagariam. Graças aos avanços na medicina e na agricultura, as previsões funestas de Malthus não se confirmaram, assim como também falharam as de seus seguidores, entre eles Paul Ehrlich, o mesmo que se assombrou com o formigueiro humano de Nova Délhi. O tom alarmista acerca do crescimento populacional arrefeceu. No último encontro da Associação Americana de População, em abril, pela primeira vez a explosão demográfica desapareceu da agenda. “Está claro que o ponto central não é mais quantos seremos, mas como faremos uso dos recursos disponíveis de forma mais racional e eficiente”, resume a VEJA o americano Thomas Heller, professor da Universidade Stanford e diretor executivo do instituto Climate Policy Initiative.

A humanidade terá de botar toda a sua inventividade à prova para dar conta de demandas crescentes sem depredar o ambiente nem viver sob a escassez. Para se ter uma ideia do tamanho do desafio, de acordo com um estudo do Banco Mundial, para alimentar bem os 9 bilhões de bocas previstos para 2055 será necessário encontrar soluções que permitam elevar em dois terços a produtividade atual. Não parece impossível, diante do que se viu em passado recente: entre 1970 e 2010, a produtividade no campo multiplicou-se por três vezes e meia. “Os emergentes já estão conseguindo achar respostas para lidar com variáveis como a menor oferta de espaço para plantar e a falta de água”, reforça o economista Maílson da Nóbrega. Existe um consenso de que também o padrão de consumo dos recursos naturais terá de ser revisto, desafio que o florescer de uma nova classe média só torna mais complicado. Mantendo-se o ritmo atual, se de fato atingirmos a marca de 10 bilhões de habitantes, teremos um planeta à beira do colapso.

O mundo nunca abrigou tantos idosos. O grupo que já chegou aos 65 é de 900 milhões de pessoas, número que, segundo se prevê, deve cravar os 2,4 bilhões até 2050. Esse cenário impõe outra sorte de desafios à humanidade, já que, em uma população envelhecida, há naturalmente menos gente produzindo. No mundo de 7 bilhões de habitantes, a razão é de oito adultos na ativa para cada idoso. Nos próximos cinquenta anos, serão apenas quatro. Espanta o ritmo com que países emergentes estão aumentando sua população grisalha. O fenômeno, que levou quase seis décadas para tomar corpo na Europa, aqui deve se dar em três. Por volta de 2020, o Brasil terá encerrado seu período áureo de bônus demográfico, momento em que os adultos produtivos superam numericamente as crianças e os idosos. “Antes disso, é preciso aproveitar para investir em educação, elevar a produtividade e acelerar o crescimento, já se preparando para o momento seguinte, menos favorável do ponto de vista demográfico”, enfatiza o demógrafo José Eustáquio, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do IBGE.

Talvez hoje, mesmo com o planeta 6 bilhões mais populoso que em seu tempo, Thomas Malthus tivesse uma visão um pouco menos pessimista acerca do futuro. Ele costumava dizer que nem os pobres nem os ricos eram tão talhados para “aprofundar os progressos conquistados pela espécie humana quanto a classe média”. A expansão desse estrato intermediário de renda não significa apenas a vitória gradual do homem sobre a pobreza. Os países que abrigam uma classe média forte e numerosa caminha para o que o cientista político americano Francis Fukuyama chama de “ordem política virtuosa” – situação em que estão dadas as condições necessárias para alcançar a riqueza. Vencido o estágio mais básico da sobrevivência, esse grupo passa a se preocupar com o futuro e a abraçar políticas que lhe permitam seguir avançando, como aquelas que enfatizam o direito de propriedade, a segurança jurídica e as liberdades individuais. E ainda um contingente com mais estudo e capacidade para buscar soluções que deem conta dos gigantescos desafios do mundo de 7 bilhões de habitantes.

Com reportagem de Luís Guilherme Barrucho, Helena Borges e Roberta de Abreu Lima

Garibaldi Alves: “Não dá mais para esperar”

Veja – 31/10/2011

O governo está disposto a enfrentar as resistências corporativas e atacar um dos mais graves problemas da Previdência: o déficit provocado pelas aposentadorias do serviço público

Quando foi indicado para ocupar o cargo, o ministro Garibaldi Alves foi humilde em reconhecer que não entendia nada de previdência social. Estava ali, como muitos de seus colegas de governo, cumprindo uma missão. Dez meses depois da posse, Garibaldi diz ter tomado gosto pelo assunto e conta que se sente à vontade, inclusive para atacar os problemas estruturais que podem levar à falência o sistema público de previdência em um futuro que bate assustadoramente às portas. Aos 64 anos, o ministro, que está licenciado do Senado, não tem com que se preocupar quando o assunto é a própria aposentadoria. Ele já recebe um benefício de 7 000 reais, referente aos catorze anos de mandato como deputado estadual do Rio Grande do Norte – valor que é quase o dobro do máximo pago a um trabalhador comum que contribuiu 35 anos para o INSS.

O senhor já entende de previdência?

Um bocado. Quando entrei, não tinha conhecimento das atribuições e dos problemas do ministério. Mas a experiência administrativa que tive no Executivo me permitiu lidar com eles. Ao mesmo tempo, resolvi estudar. A primeira coisa que eu fiz na pasta foi organizar um seminário sobre os problemas da Previdência. Hoje já me sinto muito à vontade quando sou convidado para os debates.

Qual é a dimensão do problema?

Precisamos olhar rápido para o futuro. A curva de envelhecimento da população está caminhando muito depressa para um ponto de inflexão. Hoje, nós temos muito mais jovens do que velhos. Em 2050, daqui a menos de quarenta anos, serão 64 milhões de idosos. A cada ano, esse número aumenta em 1 milhão. Se nada for feito de imediato, só me restará ter pena dos meus sucessores.

Pena? Por quê?

Em 2010, a Previdência fechou com um déficit de 93 bilhões de reais. Isso quer dizer o quê? Quer dizer que a Previdência pagou em benefícios, pensões e aposentadorias 93 bilhões a mais do que arrecadou. Somente as aposentadorias de 950 000 servidores públicos custaram 51 bilhões de reais, ou seja, mais da metade do déficit. Isso aumenta 10% a cada ano. Se o problema continuar sendo empurrado com a barriga, tenho pena dos meus sucessores. Não há Previdência nem país que suportem uma situação assim por muito tempo.

O que o senhor está fazendo para não deixar o problema para seus sucessores?

Meu primeiro objetivo é aprovar o projeto que transforma a previdência do servidor público federal. A partir da nova lei, quem entrar no serviço público vai passar a se aposentar seguindo o teto do INSS, mas terá um fundo de pensão – que deverá ser o maior do país – para o qual o governo contribuirá paritariamente até um valor equivalente a 7% do salário do servidor. É melhor que qualquer plano de previdência privada. Afinal, na previdência privada, o lucro vai para os bancos, enquanto no fundo de pensão ele se reverte para o pagamento de benefícios melhores. Dependendo da contribuição, o servidor poderá se aposentar com vencimentos até maiores que o salário.

Há três anos, quando presidente do Senado, o senhor dizia que as reformas estruturais, entre elas a da Previdência, não saíam porque faltava um presidente estadista o suficiente. Continua faltando?

Você quer me ver demitido… só pode ser. Temos o apoio da presidente Dilma Rousseff e de todo o governo para a aprovação do fundo de pensão dos servidores. As maiores resistências hoje são dos sindicatos e dos parlamentares ligados a eles, que acham que o que está aí precisa e deve ser preservado. É uma forma distorcida de ver o problema. Os sindicatos, que deveriam ser de esquerda, às vezes são mais conservadores que os conservadores de direita. O fato é que os atuais servidores não têm com que se preocupar. Nada muda para eles. As carreiras de estado não vão ser desfiguradas. Ninguém vai ser prejudicado.

Há clima político para aprovar o projeto ainda neste ano?

Há. O governo tem hoje uma das mais amplas maiorias já vistas no Congresso Nacional. É preciso haver uma conscientização da sociedade de que a Previdência não é o pai e a mãe. Pelo contrário. A previdência cria um sentimento de responsabilidade com relação ao futuro. Mesmo sabendo que a situação da Previdência não pode ser resolvida do dia para a noite, é preciso dar passos consistentes para que se tenha uma solução a médio e longo prazo. Se a sociedade não despertar para essa situação, o ônus que virá será bastante pesado. Não há como você enfrentar o déficit, por exemplo, sem ter uma idade mínima para se aposentar. O Brasil é, ao lado do Iraque, Irã e Equador, um dos poucos países em que a pessoa se aposenta só com o tempo de serviço. Isso também tem de ser enfrentado.

Então há uma reforma mais ampla no horizonte?

Não há nenhum projeto pronto, mas há situações que deverão sofrer mudanças já no ano que vem, como a das pensões. A lei permite coisas absurdas. No caso da pensão por morte, por exemplo, basta que o beneficiário contribua para a Previdência um único mês para que seus descendentes tenham direito a uma pensão pelo resto da vida. Isso acontece muito: uma pessoa está desenganada e paga uma mensalidade. Se dali a dias ela morrer, a viúva e os filhos vão receber o benefício vitalício. Outra situação é a de mulheres jovens que resolvem se casar com idosos só para ter direito à pensão pelo resto da vida. O falecido deve ficar se contorcendo no túmulo. Ele leva chifre e ainda paga a pensão. Como não há regras, a permissividade é total. Falando assim, parece que são coisinhas pequenininhas, mas essa farra das pensões custa 57 bilhões de reais por ano.

Há a possibilidade de algum dia as contas da Previdência chegarem a um equilíbrio?

Eu não pretendo zerar as contas da Previdência, porque não é isso que vai me deixar feliz. O que vai me deixar feliz é essa cobertura se tornar a mais ampla possível. No total, há 27 milhões de pessoas sem cobertura previdenciária. São donas de casa de baixa renda, domésticas, borracheiros, barbeiros… Queremos incorporá-las o mais rápido possível, porque são pessoas marginalizadas, que estão cuidando apenas da própria sobrevivência. O bom mesmo era ter o déficit zerado e a Previdência ainda prestar um serviço melhor. Mas você tem de fazer uma opção. Se a sociedade brasileira estivesse preparada para fazer uma ampla reforma da Previdência, eu acho que deveria ser feita. Mas não vejo viabilidade política para que nos próximos anos isso possa acontecer. A minha parte é alertar a sociedade para essas distorções, que precisam ser corrigidas logo. Mas por que esperar que a reforma da Previdência saia, se nem a reforma política nem a tributária foram feitas? A sociedade brasileira não tem perfil ainda para absorver de uma vez só essas grandes mudanças.

Quais são, para o senhor, os principais problemas do governo?

A princípio se dizia que o principal problema do governo seria político, porque o perfil da presidente Dilma é diferente do perfil do presidente Lula. Mas hoje o que se nota é uma situação político-partidária muito favorável. Por isso, o desafio maior é essa crise internacional. A presidente está determinada a tomar medidas as mais urgentes e duras, se forem necessárias. A visão dela no momento não leva a isso, mas ela está muito atenta. Por causa da crise, até o varejo político está sendo deixado de lado.
O senhor acha que o fisiologismo é hoje o grande problema do Parlamento?

Esse problema existe, é claro. Mas a crise do Parlamento é de representatividade. A sociedade sempre cria expectativas em relação aos eleitos e elas não se confirmam. Há um abismo entre o que se promete que o Parlamento fará e o que ele efetivamente faz. A legislatura atual está até possibilitando a discussão de temas como o Código Florestal, mas isso é exceção. De maneira geral, o Parlamento não legisla nem fiscaliza. Em doze anos no Senado, eu tive um único projeto aprovado, e isso porque era emergencial. Por outro lado, as CPIs também passaram a não atender às expectativas. Com isso, o Parlamento perdeu substância e se mostra muito submisso ao governo.

O senhor já foi prefeito e duas vezes governador. Vê algum caminho para ter maioria no Parlamento que não o loteamento de cargos?

É difícil, porque o loteamento de cargos não deixa de ser legítimo. Como alguns gostam de dizer de maneira pomposa, não é loteamento, é participação no governo. Acho muito difícil você ser eleito e não repartir o governo. Alguns governantes talvez tenham sido mais rigorosos nisso, mas não vejo possibilidade de alguém chegar ao poder e não fazê-lo.

A propósito, três dos seis ministros do PMDB caíram nos últimos meses. O senhor tem algum temor de virar alvo?

Problema de natureza ética eu não tenho. Ocupei vários cargos na minha vida e, até hoje, não apareceu nada que viesse a criar problemas para mim. Já no que se refere aos problemas de natureza política, a gente não pode ter a mesma tranquilidade. Depende da relação do partido com o governo. E uma coisa que até independe da nossa vontade.

O senhor acha que há ministérios demais?

Isso aí todo mundo acha. É uma das poucas coisas sobre as quais acredito que exista unanimidade. É ministério demais. São tantos que só houve uma reunião até agora do ministério todo. É melhor nem me aprofundar nisso.

O senhor está no PMDB há quarenta anos. Como partido se tomou esse sinônimo de fisiologismo e malversação de recursos públicos?

Acho que o partido abriu as portas demais. É difícil justificar uma atitude de restrição a isso, porque há a liberdade de as pessoas se filiarem, mas o partido perdeu a homogeneidade. A gente sente que ele ficou devendo diante das suas origens. Ele antes era uma freme de partidos ideológicos que combateram a ditadura. Depois, com essa vocação de frente, começou a receber adesões, e hoje é um partido que não tem nenhuma diretriz ideológica.

Durante o governo Lula, o senhor foi crítico à leniência dele com casos de corrupção. Qual é a diferença entre Dilma e Lula nesse campo?

Nesse aspecto, ela é mais rigorosa que ele. Não vou entrar em detalhes, mas acho que ele mesmo já admitiu isso. Lula realmente tolera mais, dá mais oportunidade. Defende às vezes os companheiros numa situação difícil. Do ponto de vista de lealdade, é exemplar. Agora. eu acho que ele também só fez isso porque se tornou um líder de enorme popularidade.

E, nas outras áreas do governo, o senhor vê diferenças? Só diferença de estilo. É uma coisa que não precisa estar dentro do governo para ver. Lula é mais aberto, governa mais próximo dos ministros, e Dilma não. A presidente tem um certo grupo com o qual se reúne mais. Ela não cobra muito diretamente, não, usa muito aquele pessoal do Palácio, Gleisi, Ideli e Gilberto.

Existe um mito de que a presidente Dilma é muito rígida no trato com seus auxiliares….

Ela é brava mesmo. Todo mundo sabe que ela é. Para uma mulher governante, eu vejo isso como uma qualidade. É um sinal de que se trata de uma pessoa rigorosa. Ela nunca me chamou a atenção,
mas já a vi chamar a atenção de outros. Às vezes, o tom dela sobe um pouco. Mas isso vem desde que ela era ministra. Se como ministra fazia isso, imagine agora.

O senhor ficaria preocupado se tivesse de se aposentar hoje?

Sou franco em dizer que a aposentadoria não é satisfatória. Houve um declínio com o passar do tempo. Antigamente, as pessoas se aposentavam com um valor equivalente a vários salários mínimos. Hoje, quase 70% dos aposentados recebem apenas o salário mínimo. A coisa decaiu muito.

Pra onde vai esse trem?

Autor(es): Juliana Sayuri e Mônica Manir
O Estado de S. Paulo – 30/10/2011

Demógrafo da ONU prevê que a população deve se estabilizar por volta de 2050, mas haja solavanco até lá

– O Estado de S.Paulo

Amanhã, fim de mês, a ONU fecha a conta do mundo em 7 bilhões de habitantes. E abre outra logo em seguida, estimando que vêm mais 8 bilhões por aí até 2100. Só depois seria possível passar a régua e dizer que a população se estabilizou.

O holandês Ralph Hakkert é demógrafo do Fundo de População das Nações Unidas. Pelo que tem observado de seus voos pelo planeta, é mais otimista: por volta de 2050 a coisa se acomoda em torno dos 9 bilhões. Não só porque as mulheres terão mais acesso aos métodos contraceptivos, mas porque a África passará por um processo muito acentuado de urbanização, o que deve desencorajar a fecundidade do continente mais animado a se multiplicar.

É da África que ele conversa com o Aliás. Hakkert estava em Nairóbi, capital do Quênia, para dar um workshop sobre métodos de estimativa demográfica. O país já foi considerado o de mais alta fecundidade no mundo, com uma média de 8,11 filhos por mulher. Hoje está na casa dos 4,62, um número ainda disparatado, especialmente quando se leva em conta que metade da população mora em países onde a fecundidade se encontra abaixo do nível de reprodução, com 1,8 filhos.

“O Brasil está nessa faixa, ou seja, as pessoas têm menos filhos do que precisariam para repor as gerações”, explica. Mas pergunta: “Até que ponto o Estado pode interferir na vida privada da população para conseguir um ou outro comportamento reprodutivo?” Da sua, ele já sabe: quer unir de novo a família, separada pelo trabalho. Em Brasília moram sua mulher e o filho mais velho. Em Nova York, ele divide um apartamento com o mais novo. Em 2013 esse demógrafo de 59 anos que foi pesquisador do Núcleo de Estudos da População (Nepo), da Unicamp, e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) quer se aposentar. E morar no Brasil, que, segundo suas previsões, em duas décadas será um dos polos de atração do intenso processo migratório mundial.

Como tende a se comportar a população mundial até o final deste século?

Ainda serão acrescentados 1 ou 2 bilhões de pessoas ao número total. Mas já há sinais claros de que o comportamento da população está mudando e esse crescimento ficará mais lento. Em algum futuro previsível, vai parar. Haverá uma estabilização.

E será por volta de 2040?

Não, acredita-se que será mais tarde. Há uma agência na ONU chamada Divisão de População que, a cada dois anos, faz estimativas sobre como a população vai se desenvolver. Em 2008, ela projetou que o crescimento iria parar em 2040, 2045. Neste ano de 2011 fizeram uma revisão e agora são mais pessimistas. Acham que o crescimento vai continuar por mais tempo, só deve parar por volta de 2100.

O senhor concorda com a nova projeção?

Sou um pouco mais otimista. Aposto que a população vai se estabilizar por volta de 2050, mas é muito difícil fazer projeção de longo prazo sobre isso. Quando você tem uma hipótese um pouquinho diferente sobre o ritmo de redução da fecundidade, pode chegar a conclusões bem diversas. Essa é uma arte bastante sensível.

O que o leva a achar que a redução da fecundidade será mais rápida?

Primeiro, a urbanização. Segundo, o nível de acesso que as mulheres têm à saúde reprodutiva e aos métodos contraceptivos. Terceiro, as oportunidades que surgem para as mulheres no mercado de trabalho, o que as estimula a ter menos filhos.

Por que a fecundidade tende a diminuir com a urbanização?

Um famoso demógrafo australiano, John Caldwell, desenvolveu o seguinte argumento: nas sociedades tradicionais, principalmente as rurais, o fluxo de riqueza entre gerações é predominantemente dos filhos para os pais, ou seja, os pais precisam investir pouco nos filhos em termos de educação, capital humano, mas existe um fluxo de riqueza dos filhos porque eles começam a trabalhar desde cedo, contribuem para a renda da família e sustentam os pais na velhice. Então, numa sociedade tradicional rural, é bom negócio ter muitos filhos. Já a economia urbana se baseia muito na educação como instrumento de ascensão social. Também existe menos necessidade de se procriar para ter segurança na velhice na medida em que existe maior cobertura do sistema de aposentadorias. Na economia urbana moderna, portanto, o fluxo de riqueza é mais de pais para filhos.

Como se lida com barreiras culturais quanto ao planejamento familiar? Na África Subsaariana elas são muito fortes, não?

Sim, as pessoas na África Subsaariana querem muitos filhos porque isso é visto como fonte de riqueza. Mas isso tende a mudar. A África é o continente que terá o maior ritmo de urbanização nas próximas décadas. Isso impactará o crescimento das populações. Elas vão depender de mais atividades econômicas urbanas e as mulheres terão mais oportunidades de trabalho. Mas veja outros fatores, como a religião. Antigamente se dizia que ela favorecia a existência de famílias grandes. Contudo, os países de fecundidade mais baixa no mundo, Itália e Espanha, são predominantemente católicos. No Irã, apesar da força da cultura muçulmana, houve uma queda recente e rápida.

Quais são os países de maior fecundidade?

Os da África, como o Níger, onde as mulheres ainda têm seis filhos. Uganda, Burquina Faso e Máli não ficam atrás. Mencionaria também a Tanzânia, e o Afeganistão.

E a América Latina? Como o senhor avalia a taxa de fecundidade do continente?

A América Latina tem tido uma transformação muito forte nesse sentido também. Um dos casos principais é justamente o Brasil. No final dos anos 60, a taxa de fecundidade no País era da ordem de cinco, seis filhos por mulher. Hoje a taxa está abaixo de dois. Ou seja, as pessoas no Brasil nem têm o número de filhos que precisam para se reproduzir. O Chile também tem uma fecundidade muito baixa, assim como Cuba e Trinidad e Tobago. Os únicos que ainda mantêm uma fecundidade elevada são Guatemala, Honduras e Nicarágua, com uma média de três filhos por mulher.

As sociedades idosas podem se tornar um peso para a geração de filhos únicos?

Há alguns países em que o envelhecimento será um problema bastante sério no futuro, e não falo só dos mais desenvolvidos. Na China, a diminuição da fecundidade foi muito brusca. Lá a média é de 1,5 filho por mulher. A sociedade chinesa não está organizada para o envelhecimento porque os chineses ainda esperam que os filhos cuidem dos pais. Isso será cada vez mais difícil, inclusive porque haverá um grande número de pessoas que ficarão velhas sem filhos. No Brasil, a seguridade social é relativamente ampla. Na China não existe isso.

Qual país tem a maior expectativa de vida?

O Japão. A média de vida deles é de mais de 80 anos. Mas veja que o que determina o envelhecimento de uma população não é tanto a expectativa de vida, mas a baixa fecundidade, de menos de dois filhos. A população vai envelhecer de qualquer forma, mesmo que a esperança de vida não seja tão alta, como na China.

No último relatório da ONU, a questão da fecundidade foi deslocada dos fatores econômicos e sociais para os direitos humanos. Como o senhor vê essa transposição?

Os direitos reprodutivos se encaixam no conceito de direitos humanos. As pessoas têm o direito de ter o número de filhos que desejam. Isso foi uma resolução que se tomou na Conferência Mundial do Cairo, em 1994, na qual se consagrou a ideia de que a decisão sobre a fecundidade pertence a cada mulher, a cada casal. A obrigação do Estado é dar às pessoas meios que lhes permitam exercer seu direito de opção sobre o número de filhos que desejam. Mas metade da população mundial já mora em países em que as pessoas têm menos filhos do que precisariam para repor as gerações. Acabo de voltar da Armênia, onde já se oferece bônus para os casais. A Mongólia também subsidiou o nascimento de crianças. Daí surge a discussão: até que ponto o Estado pode interferir na vida privada das pessoas para conseguir que tenham um ou outro comportamento reprodutivo?

A desigualdade econômica entre os países tende a aumentar? Os pobres serão ainda mais pobres? E os ricos serão em menor quantidade, mas ainda mais ricos?

É uma pergunta difícil. Você precisa perguntar isso a um economista. Se por um lado existe a tendência de uma maior desigualdade nos países mais desenvolvidos, por outro há o crescimento explosivo de países em desenvolvimento. Estou muito impressionado com o que está acontecendo com a China. Tive um estagiário chinês trabalhando comigo durante o verão e, ao ouvi-lo falar sobre as mudanças no ambiente familiar e dos amigos, fiquei com a nítida sensação de que a China vai explodir economicamente, o que vai mudar as relações no mundo. Ao mesmo tempo, não sabemos qual vai ser o resultado disso. Pra dizer a verdade, não acredito muito que a pobreza vá aumentar. Em nível mundial, em termos de porcentuais, ela vai diminuir, mas será um processo um pouco contraditório. Em alguns países pode haver pobreza, como nos EUA, onde moro e vivencio essa discussão o tempo todo. Fala-se que, daqui a 20, 30 anos, Brasil e EUA terão níveis de desigualdade parecidos.

O Ocupem Wall Street mostra que as pessoas já se deram conta disso?

Existe uma percepção de que o sistema econômico não é justo. A crise de 2008 foi vista como uma crise de credibilidade do sistema capitalista nos EUA, mas na Europa também. As pessoas estão se sentindo inseguras, percebem que não há igualdade de oportunidades. A geração atual de jovens americanos provavelmente será a primeira, desde a 2ª Guerra Mundial, a ter uma vida econômica mais difícil que a de seus pais. E essa insegurança se reflete na polarização política. Enquanto há gente ocupando Wall Street para dar vazão à insatisfação, há segmentos conservadores da classe média que acham que tudo se resolve se voltarem aos valores capitalistas de antes.

Muitos têm relacionado as ondas rebeldes no Oriente Médio aos mais jovens, que seriam mais instruídos. Os jovens são mesmo os protagonistas das mudanças?

Sim e não. Sim no sentido de que a Primavera Árabe reflete a crescente frustração dos jovens com as poucas oportunidades econômicas, sociais e políticas que seus países oferecem. Isso tem muito a ver com o rápido crescimento do nível de instrução nesses lugares. Egito, Irã e Síria têm investido muito na educação, o que não tem sido acompanhado de uma expansão das oportunidades. Agora, alguns dizem que os acontecimentos no Oriente Médio têm a ver com o grande contingente de jovens nesses países. O número de jovens nesses países, como porcentual da população com mais de 15 anos, não é excepcional neste momento. Essa proporção já foi até maior.

As pessoas mais ricas do mundo são as que mais emitem dióxido de carbono. O que ameaça mais o mundo – o número de pessoas ou o estilo de vida que levam?

A curto e médio prazo, é mais o estilo de vida. Se supusermos que o estilo de vida se manterá constante e observarmos onde o maior crescimento de população vai ocorrer, ou seja, nos países menos desenvolvidos, principalmente na África, o impacto que isso terá sobre a emissão de dióxido de carbono será relativamente pequeno. Por outro lado, sabemos que haverá certo crescimento da população nos EUA e no Canadá. O efeito disso sobre a emissão de dióxido de carbono será muito maior porque o nível de consumo per capita de dióxido de carbono é grande nesses países. Mas, a longo prazo, o crescimento populacional terá um impacto porque os países que apresentam um baixo nível de consumo e emissão de dióxido de carbono não ficarão eternamente nessa situação. Haverá um impacto enorme se todos os chineses tiverem um carro, como têm os americanos.

Na edição passada entrevistamos o ambientalista Lester Brown, que mencionou a subida drástica dos preços dos grãos e a dificuldade dos países importadores de se manter contando só com o mercado. Daí que China, Arábia Saudita e Coreia do Sul começaram a comprar ou arrendar terra em outros países, particularmente na África, para produzir alimentos para si próprios. O senhor está em Nairóbi. Essa discussão chegou até aí?

Existe um conceito, que provavelmente Lester Brown mencionou, que é a ideia de que alguns países na realidade possuem uma área de influência muito maior do que a área física que ocupam no globo. O país de que sempre se lembram nesse contexto é o meu, a Holanda. É uma nação pequena, tem 16 milhões de habitantes dentro de uma área que corresponde ao Estado da Paraíba. Mas, pelo fato de participar de intenso comércio internacional, a área do planeta que ocupa é muito maior. Então, quando as pessoas argumentam que toda a população mundial poderia se sustentar com a mesma densidade demográfica da Holanda, esquecem que na realidade a densidade da Holanda pode ser alta porque ela indiretamente se apropria de uma terra muito maior do que a que ocupa. O argumento de que existem países de alta densidade demográfica sem que isso signifique um problema não se sustenta. Não seria possível que todos os países do mundo tivessem uma densidade demográfica tão alta.

Como se comportarão os países diante dos processos migratórios? As sociedades serão mais xenófobas ou tolerantes?

A contradição vai se acentuar. Um exemplo? A situação da Espanha. Se existe ali um desemprego juvenil muito elevado, de 40%, ao mesmo tempo há uma afluência de jovens latino-americanos para pegar os empregos que os espanhóis não querem. Objetivamente, eles não estão roubando o espaço dos espanhóis, mas as coisas nem sempre são percebidas dessa forma. As pessoas veem que há cada vez mais estrangeiros trabalhando no país, então têm uma reação contrária às vezes irracional. Isso também se vê nos EUA com relação aos mexicanos. Certamente haverá uma barreira de xenofobia, mas qual dos lados vai ganhar não está tão claro assim.

Um dado divulgado pela ONU é que 214 milhões de pessoas estarão vivendo fora de seus países de origem. Parece que o lado dos estrangeiros tende a ganhar…

Esse número é real e ainda vai aumentar. Eu dizia que cheguei de uma reunião na Armênia onde havia pessoas estudando a região. Num país como o Tajiquistão, existem tantos cidadãos morando fora que mais ou menos 30% do PIB daquele país é dos migrantes que mandam dinheiro para familiares. E temos casos na América Latina que se aproximam disso. Uma parcela significativa do PIB da Nicarágua, 15%, 20%, corresponde a remessas de migrantes.

O Brasil vai se tornar cada vez mais um polo de atração nesse processo?

Apesar da migração de bolivianos, o Brasil ainda não é um polo de atração muito forte. Mas daqui a uma ou duas décadas tende a ser. A Costa Rica tem uma migração muito significativa de nicaraguenses, o México recebe gente da Guatemala, de Honduras. Claro que muitos desses migrantes passam pelo México para ir para os EUA, mas muitos ficam.

O senhor tem uma pesquisa sobre o movimento migratório brasileiro na última década, mostrando como nordestinos ainda jovens têm voltado para a cidade de origem. Há um movimento interno semelhante acontecendo em outros países?

Aquele movimento migratório que ia do Nordeste para o Sudeste realmente se reverteu, não porque hoje haja mais empregos noNordeste, mas por causa de uma infraestrutura melhor que aquela de 20, 30 anos atrás. Se está acontecendo em outros países? Logo depois da queda do Muro de Berlim, em 1989, muita gente saiu da Polônia, da Romênia, da Bulgária, da Geórgia e da Armênia para ir para o oeste. Atualmente essa situação está um pouco diferente. Agora é uma migração entre países da mesma região. Por exemplo, muita gente está saindo de países como Tajiquistão, Turcomenistão ou países da Ásia Central em direção à Rússia.

Apesar do autoritarismo russo com relação às minorias?

Sim, assim como houve uma tendência de migração da Europa e da Ásia Central para a China. Lembro o fenômeno das garçonetes russas nos restaurantes chineses. Quando as pressões econômicas são suficientemente fortes, as pessoas se dispõem a sofrer certas privações do ponto de vista social e político se com isso percebem a possibilidade de melhorar seu status a longo prazo. Lidamos com isso muito mais facilmente, principalmente quando se trata de uma situação temporária.