Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade aumentou 1,15%

O Índice de Preços ao Consumidor da Terceira Idade (IPC-3i) aumentou 1,15% no segundo trimestre deste ano, seguindo acréscimo de 1,51% nos três primeiros meses de 2009. O resultado também ficou abaixo daquele registrado entre abril e junho de 2008, de 2,65% de avanço.

De janeiro a junho deste calendário, conforme levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgado nesta sexta-feira, o indicador acumulou elevação de 2,68%. Em 12 meses, o acréscimo foi de 4,94%.

Vale notar que IPC-3i mede a variação de preços da cesta de consumo de famílias majoritariamente compostas por indivíduos com mais de 60 anos de idade.

No segundo trimestre, Despesas Diversas registraram o acréscimo mais marcado de 4,98%, depois de expansão de 0,88% entre janeiro e março. Em seguida, vieram Saúde e cuidados pessoais, com alta de 2,26%, depois do 1,50% do primeiro trimestre.

Vestuário subiu 1,93% e Habitação, 1,30%. A primeira classe de despesa abandonou uma baixa de 1,01% nos três primeiros meses de 2009 e a segunda, um incremento de 1,06%.

Em Alimentação, houve suavização no ritmo de crescimento, de 2,38% para 0,35%, entre um trimestre e outro. “As principais contribuições para a desaceleração partiram dos alimentos in natura – Hortaliças e Legumes (12,31% para 0,86%) e Frutas (6,77% para -10,28%). O decréscimo da taxa do grupo poderia ser mais expressivo se a taxa dos itens Laticínios (1,16% para 13,34%) e Carnes Bovinas (-5,48% para 0,59%) não tivessem registrado aceleração do primeiro para o segundo trimestre de 2009″, destacou a FGV.

No terreno negativo, no segundo trimestre, ficaram Educação, leitura e recreação (-0,98%) e Transportes (-0,37%). De janeiro a março, esses ramos marcaram inflação, de 1,86% e 1,23%, respectivamente.

Os itens que mais influenciaram o indicador de preços da terceira idade nos três meses até junho deste ano foram o leite tipo longa-vida, com expansão de 31,27%, o cigarro, com alta de 20,78%, e a batata-inglesa, que registrou elevação de 30,72%. Na outra ponta, apareceram o mamão papaya, com declínio de 30,02%, passagem aérea, com baixa de 18,36%, e feijão preto, com diminuição de 29,29%.

(Valor Online)

Leis protegem idosos que é chefe de família

Fonte: Consultor Jurídico
Por Ricardo Régis Oliveira Veras

Um dos desafios da terceira idade está relacionado à integração social. Para se viver socialmente com os pares é necessária a satisfação de necessidades basilares e, dessa forma, ter acesso a uma vida minimamente digna. No entanto, essa não é a realidade vivida por muitos idosos. Mais aguda é a situação dos idosos hipossuficientes, por impossibilidade de prover o próprio sustento e de sua família.

Seguindo uma tendência demográfica contemporânea, é comum observamos famílias chefiadas por idosos (1). Com a diminuição gradativa dos postos de trabalho, mormente no setor privado, observa-se, principalmente na família de baixa renda, uma contribuição maior de idosos para a formação da economia familiar.

Sensível a uma realidade que cada vez mais se faz presente nos lares brasileiros, o legislador ordinário editou as recomendações dos artigos 20 e 21 da Lei 8.742 de 1993, sendo depois acrescentadas as disposições do artigo 34 da Lei 10.741 de 2003 (Benefício de Prestação Continuada ou BPC).

Para ilustrarmos a miserabilidade, partiremos de sua acepção etimológica, que nada mais é um estado de pobreza extrema, de penúria. Essas noções, por certo abstratas, distam daquilo que realmente pretenderam demonstrar, quer seja, as dificuldades de colocação no mercado, uma estrutura social rígida, problemas de justiça social, ou ainda, direitos de inclusão, por parte de pessoas idosas. Na literatura tupiniquim, quem melhor retratou a miséria foi o autor Aluísio Azevedo, sempre em tonalidade cipreste (2), por vezes trágica.

É bem verdade que uma coisa é a realidade ilustrada por notas taquigráficas; a outra seriam os fatos nus e crus. Por essa razão há uma cisão doutrinária acerca da aplicabilidade do BPC e do conceito de miséria e seus reflexos. Críticos da concessão do BPC (e das interpretações extensivas) poderão levantar suspeições de clientelismo, de servilismo do Poder Público às massas, da mesma forma que o assistencialismo. Da outra face, os entusiastas sustentam o papel do Direito Alternativo, não no sentido antidogmático (3), mas naquele de buscar a interpretação mais conivente com os objetivos perseguidos pelo Constituinte de 1988.

Destacamos que esses posicionamentos extremos são expressões caricatas. Melhor seria retratarmos a questão da miséria longe de romance ou de tragédia e por certo tal acepção encontra dificuldades nas abstrações ou nas generalizações felizes.

No plano pragmático, a miserabilidade pode ser concebida tanto na face legal como na social. Nesta última face, vale destacar as recomendações do IBGE, órgão público sintonizado com a realidade social brasileira, cujas prescrições estão assentadas em dados temporais, sociais e econômicos, o que nem sempre seguem os mesmos destinos do salário-mínimo vigente. Para aquela primeira, nos termos da Lei Orgânica da Assistência Social, são consideradas miseráveis as famílias cuja renda per capita seja menor do que a fração de um quarto do salário mínimo vigente.

Dessa forma, os critérios aferidores de miserabilidade, contidos no artigo 20 da Lei 8.742/1993, foram objetos de inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais. De um lado, os doutos militavam a possibilidade de comprovação da miserabilidade por meios diversos, bem como interpretavam as prescrições contidas no princípio da dignidade humana, no sentido de imprimir as recomendações do artigo 230 da Constituição Federal, o que reproduzimos verbalmente:

“Artigo 230 – A família, a sociedade e o Estado têm o dever de amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e garantindo-lhes o direito à vida”.

De outro, sustentava parte dos operadores do Direito que, de fato, a Constituição Federal garante um salário mínimo em termos de prestação continuada. No entanto, os critérios necessários para a concessão ficavam a cargo do legislador ordinário (podendo em alguns casos prever comprovações juris et de jure). Nesse sentido, apontava a decisão do Supremo Tribunal Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade 1232/DF.

Calculadora da vida

No Site The living to100, o geriatra Dr.Thomas Perls, professor e pesquisador da Universidade de Boston e especialista em pessoas longevas, estima quantos anos se viverá (em inglês)

Responda 40 perguntas e confira:
Life Expectancy Calculator

Vale também ler a entrevista exclusiva à revista Veja, com Thomas Perls : Descontração, um dos segredos da longevidade .
Dr. Perls, em seu recente estudo, detectou que os filhos de centenários são mais extrovertidos, menos deprimidos e lidam melhor com o stress.

Ciência: O gene do otimismo

Revista Veja – Edição 21

Ele foi rastreado por cientistas brasileiros e ingleses, em estudos diferentes. O resultado é o mais recente avanço do ramo da genética que busca explicações para os traços
da personalidade na interação entre o ambiente e o genoma

Além de pavimentar o caminho para uma revolução na medicina, o sequenciamento do genoma humano permitiu que cientistas identificassem uma série de genes relacionados ao comportamento. Não se passa um mês sem que um novo estudo associe determinado gene à tendência a adquirir certo traço de personalidade, ou a desenvolver um hábito ou vício – desde que o gene seja “ligado” pelo ambiente em que a pessoa vive. A mais recente dessas pesquisas, conduzida pela Universidade de Essex, na Inglaterra, debruça-se sobre o gene responsável pelo transporte da serotonina, neurotransmissor associado a sensações como o bem-estar e a felicidade. Uma variação nesse gene estaria relacionada à maneira como cada um processa as informações positivas ou negativas – ou seja, à tendência a ser otimista ou pessimista. O gene do otimismo, como foi batizado pela comunidade científica, já havia sido rastreado pela equipe da geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo, em parceria com o geneticista João Ricardo de Oliveira, da Universidade Federal de Pernambuco, durante uma pesquisa para tentar descobrir a influência genética de doenças psíquicas. Com novas questões levantadas pela equipe inglesa, o estudo da USP e da UFPE será agora publicado pela revista Molecular Psychiatry.

Tanto a pesquisa da Universidade de Essex quanto a da Universidade de São Paulo realizaram testes com grupos de voluntários para aferir quantos deles tinham o gene do otimismo. No caso dos ingleses, 16% o possuíam. Entre os brasileiros, a marca bateu em 40%. Antes que se conclua que o Carnaval tem origem genética, é bom esclarecer que esses estudos precisam ser confirmados em outras populações. De qualquer maneira, parece claro que o brasileiro é mais propenso a olhar o mundo com otimismo. O pesquisador de genética evolutiva Ricardo Kanitz, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, diz que o índice favorável aos brasileiros pode ter origem na mistura de etnias e nacionalidades promovida pela colonização e pelas ondas migratórias do início do século XX. “Nossa população é constituída de muitos povos. A alegria do povo brasileiro pode ser, em parte, explicada por esse gene, menos comum entre a população da Inglaterra”, conclui o pesquisador. ´

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Bebês, idosos e gestantes devem evitar viagem para Argentina e Chile

SÃO PAULO – O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, e a Secretaria de Saúde de São Paulo recomendaram hoje que as pessoas evitem viajar para a Argentina e o Chile, por conta da influenza A (H1N1) – conhecida como gripe suína.

A restrição a viagens vale, sobretudo, para mulheres grávidas, pessoas imunodeprimidas como pacientes com câncer e em tratamento de aids, crianças menores de 2 anos e idosos com 60 anos ou mais. O risco de apresentarem complicações em decorrência da infecção pelo vírus, de acordo com a Secretaria de Saúde paulista, é maior nesses grupos.

Atualmente, São Paulo é o estado com a maior quantidade de diagnósticos confirmados – 149 no total, além de 69 pacientes sob suspeita – no país.

Um balanço realizado pelo própria secretaria aponta que 40% dos 116 casos de gripe registrados em São Paulo foram de pacientes que se infectaram durante viagem à Argentina. Outros 15,5% contraíram a doença nos Estados Unidos. Já o Chile responde por 5,1% dos casos entre os paulistas, e o Canadá, por 2,5%. Os demais países apontados como locais prováveis de infecção foram França, Inglaterra, México e Uruguai.

Em relação ao aumento dos casos confirmados no Brasil nos últimos dias, o ministro Temporão disse que não é uma surpresa. “Já esperava que a gripe chegaria. Não é nenhuma tragédia”. Segundo Temporão, todos os casos de gripe suína no país vieram de fora, o que “caracteriza a transmissão limitada e não sustentada”.

É claro que o Ministério está preocupado. Nossa recomendação é a prudência, o bom senso, e que pessoas em tratamento de quimioterapia e aids, idosos com mais de 60 anos e crianças de até dois anos não viajem para a Argentina e o Chile”, disse Temporão.

Segundo o ministro, a vida no Brasil continua normal, sem nenhum tipo de restrição. Temporão alertou, apenas, que as pessoas com casos suspeitos entrem em contato com a vigilância sanitária, antes de tomar qualquer medida.

Ainda segundo o ministro, o Brasil é um dos países mais capacitados para participar do esforço mundial para desenvolver a vacina contra a gripe suína.

Agência Brasil, O Globo

Mau atendimento em unidades de saúde pode expor idosos à violência

Da Agência Estado

Mau atendimento em unidades de saúde pode expor idosos à violência Por Antonio Carlos Quinto, da Agência USP São Paulo, 18 (AE) – Uma pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, que avaliou o atendimento a idosos em uma unidade pública de saúde de São Paulo, mostra como estas pessoas são as mais vulneráveis ao mau atendimento de parte dos servidores. “Os profissionais daquela unidade chegam a atuar de forma violenta, mesmo que involuntariamente.

Não podemos generalizar e dizer que isso ocorre em todo o serviço público de saúde”, alerta a assistente social Marilia Viana Berzins. Em sua tese de doutorado Violência institucional contra a pessoa idosa: a contradição de quem cuida, a pesquisadora analisou a percepção de 16 profissionais de um serviço de emergência, entre atendentes, auxiliares de enfermagem, enfermeiros, capelão e assistentes sociais, à exceção dos médicos.

“Mesmo sabendo que algumas práticas no atendimento aos idosos beiram a violência, os profissionais envolvidos preferem culpar o colega ou até mesmo a instituição”, explica Marilia. Segundo ela, o Ministério da Saúde identifica nove exemplos de situações em que há violência em relação ao idoso. “Os profissionais identificaram seis situações que prejudicam o atendimento ao idoso: a peregrinação, ou seja, a desinformação nos setores que leva o paciente a ir a vários lugares fora e dentro do próprio serviço; falta de escuta e tempo para o usuário; frieza, rispidez, falta de atendimento e negligência; maus tratos com usuários motivados por discriminação quando a questão é a idade; detrimento das necessidades e direitos do usuário; proibição ou obrigatoriedade de acompanhantes com horários rígidos e restritos.

Em relação ao último item identificado, Marilia ressalta que o acompanhamento do idoso em internações hospitalares é um direito, de acordo com o Estatuto do Idoso. “O fato de ser um direito não o torna obrigatório. Na unidade de saúde estudada os servidores tornavam o acompanhamento obrigatório, causando problemas às famílias do idoso”, revela.

Entender a velhice
A pesquisadora aponta que um dos principais problemas entre os funcionários é como eles enxergam a velhice. “Em geral vêem como uma coisa ruim, até mesmo como uma doença. Uma situação que não desejam a si próprios”, lamenta Marilia. Ela lembra que, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2007, o Brasil possui 19 milhões de idosos. “Em 2030 as projeções indicam que poderemos ser 32 milhões de pessoas idosas”, cita a pesquisadora.

Entre as estratégias propostas no trabalho para melhorar essa situação, Marilia destaca uma melhor qualificação e capacitação dos funcionários que atuam no serviço público de saúde. Mas ela ressalta que o problema também está na gestão destes órgãos. “Profissionais e gestores têm de se conscientizar que velhice não significa doença e nem pobreza. O envelhecimento não é um problema social, como muitos consideram”, destaca. “É preciso discutir junto com todos os setores envolvidos o envelhecimento humano. As causas podem estar no próprio processo de trabalho. “É preciso reorganizá-lo, pois as formas de violência muitas vezes são sutis”, revela.

O cidadão, por sua vez, não reclama do mau atendimento, como salienta a pesquisadora. E isso não acontece apenas com os mais idosos, mas com a maioria das pessoas que dependem dos serviços. “Como pude verificar em outros estudos, eles não reclamam por medo de não serem atendidos.” O estudo de Marilia teve a orientação da professora Helena A. Wada Watanabe, do Departamento de Prática de Saúde Pública da FSP da USP.

Idosos usam redes sociais na internet para escapar da solidão

Sites ajudam a ‘renovar’ contatos e estimular amizades.
Internautas também usam serviços para publicar fotos e memórias.

Como muitas pessoas mais velhas, Paula Rice, moradora do estado de Kentucky (EUA), ficou cada vez mais isolada nos últimos anos. Seus quatro filhos crescidos moram em outros lugares, seus dois casamentos acabaram em divórcio e seus amigos estão espalhados. Na maioria dos dias, ela não vê ninguém.

No entanto, Rice, 73 anos, está longe de ser solitária. Confinada em casa depois de sofrer um ataque cardíaco, há dois anos, ela começou a visitar redes sociais virtuais, como o Eons.com, uma comunidade on-line para baby boomers que estão envelhecendo, e o PoliceLink.com (ela é ex-despachante policial). Agora, Rice passa até 14 horas por dia em conversas on-line.

“Eu estava morrendo de tédio”, ela disse. “O Eons me deu uma razão para continuar vivendo”.

Não é novidade que cada vez mais pessoas da geração de Rice estão entrando em redes virtuais, como o Eons, o Facebook e o MySpace. De acordo com a comScore, empresa de medição de mídia, o número de internautas idosos que visitaram redes sociais cresceu quase duas vezes mais rápido que o índice de uso da internet neste grupo, no ano passado. Pesquisadores que focam no envelhecimento estão estudando o fenômeno, a fim de verificar se as redes sociais podem oferecer alguns dos benefícios de um grupo de amigos, ao mesmo tempo em que são algo mais fácil de manter.

‘Recuperando’ amigos
“Um dos maiores desafios, ou perdas, que enfrentamos como adultos mais velhos, honestamente, não envolve nossa saúde, mas como nossa rede social está nos deteriorando. Isso acontece pois nossos amigos adoecem, nossos cônjuges morrem, os amigos morrem, ou nos mudamos”, disse Joseph F. Coughlin, diretor do AgeLab, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.

“O novo futuro da terceira idade envolve permanecer na sociedade, no ambiente de trabalho e estar bem conectado”, acrescentou. “A tecnologia vai ser uma parte muito importante nisso, pois a nova realidade é, cada vez mais, uma realidade virtual. Ela oferece uma forma de fazer novas conexões, novos amigos e novos propósitos”.

Cerca de um terço das pessoas com 75 anos de idade ou mais moram sozinhas, segundo um estudo da AARP, publicado em 2009. Em resposta ao crescente número de americanos idosos, o Instituto Nacional para o Envelhecimento está concedendo pelo menos US$ 10 milhões em financiamentos para pesquisadores que examinem a neurociência social e seus efeitos sobre o envelhecimento.

Redes on-line podem representar para os mais velhos “um lugar onde eles se sintam fortes, pois podem realizar essas conexões e conversar com as pessoas, sem ter que usar um amigo ou membro da família para mais uma coisa”, disse Antonina Bambina, socióloga da University of Southern Indiana e autora do livro “Online Social Support” (Cambria, 2007).

Para os familiares dos idosos, as redes sociais podem trazer um pouco de alívio. Chris McWade, morador de Franklin, Massachusetts, o mais novo de uma grande família, recentemente ajudou na mudança de seus pais, avós e tio para casas de repouso. Ele contou ter passado dois ou três anos “voando por todo o país, segurando a mão de muitas pessoas” e vendo o isolamento e a depressão que chegam com a idade.

Isso lhe despertou a ideia para a MyWay Village, uma rede social baseada em Quincy, Massachusetts. McWade ajudou a fundá-la, em 2006, e hoje a vende para casas de repouso. O projeto acaba de finalizar os programas-piloto em várias casas de Illinois e Massachusetts. McWade contar ter firmado acordos para a expansão para várias outras casas.

Há dois anos e meio, Howe Allen, corretor imobiliário em Boston, ajudou na mudança de seus pais para o River Bay Club, uma casa de repouso, também em Quincy, que usa o MyWay.

Sua mãe morreu logo depois. No entanto, seu pai, Carl, pôde começar a fazer amigos e compartilhar histórias no MyWay. Ele nunca havia usado um computador, mas aprendeu rápido; o software inclui aulas de informática. Depois de sua morte, em dezembro, o serviço de memórias da casa de repouso incluiu fotografias que ele tinha postado no MyWay, trechos de memórias publicadas por ele, e depoimentos de amigos feitos através do site.

“Foi um dia emocionante, jamais esquecerei”, disse Howe Allen. “É mais que um simples computador. Isso o afetou de formas que estão além da era eletrônica. Isso permitiu que ele crescesse numa idade em que, supõe-se, as pessoas param de crescer”.

Um Chevrolet 1950
Numa segunda-feira recente, Neil Sullivan, gerente regional do MyWay, estava diante de um grupo de cerca de vinte residentes do River Bay Club, na biblioteca do local.

Ele chegou preparado com slides e discursos, mas o grupo só queria falar da vida deles. Quando Sullivan mostrou a fotografia de um Chevrolet 1950, um morador disse: “Eu tinha um Chevy 57″, e outro respondeu: “O meu era um 49″. Um homem que usava um suéter verde-amarelado, até então quieto, acrescentou: “O melhor carro que já tive foi um Dodge Business Coupe”.

Sarah Hoit, co-fundadora e diretora executiva do MyWay, disse que, para os mais velhos, aprender a se conectar não era um objetivo por si só. “Eles querem um veículo para encontrar novas pessoas e compartilhar a vida”, disse. “Eles querem ser estimulados”.

Fora das sessões semanais, os moradores de River Bay usam o site para postar histórias como “Minha Vida Como Enfermeira” ou “Trabalhei no Howard Johnson, em Quincy”. Sunny Walker, 89 anos, que se recusava a usar máquina de escrever elétrica quando era secretária de uma escola (de tanto que odiava tecnologia), agora brinca e envia mensagens para os amigos através do site.

“Estou lhe dizendo, é a melhor coisa para os mais velhos”, disse ela. “Isso desafia nossas mentes, é isso. Desafiou a minha”.

Conseqüências da solidão
Algumas pesquisas sugerem que a solidão pode piorar a demência. Dr. Nicholas A. Christakis, médico interno e cientista social de Harvard, considera pesquisar se as conexões sociais online podem ajudar a retardar a demência, da mesma forma que as tradicionais.

“Redes sociais on-line realizam uma propensão antiga que todos nós temos de nos conectar com outros”, disse ele.

A propensão pode ser antiga, mas a forma de fazê-lo, não. Mollie Bourne, dona de um campo de golfe e moradora de Puerto Vallarta, México, durante metade do ano, entra no Facebook algumas vezes por semana. Ela gosta de ver os posts e fotos de seus netos, mesmo aquelas tiradas em bares e festas, aquelas que as pessoas não esperam que a avó veja.

“Por Deus, todos nós agíamos assim na faculdade”, disse ela. “É isso que acontece quando você tem 76 anos. Já estive por aí. Já vi de tudo. É preciso muita coisa para me chocar”.

Matéria publicada no G1 em 09/06/09

Filtro com nanotubos de carbono reduz concentração de substância tóxica liberada pelo cigarro

Os nanotubos de carbono permitem a fabricação de filtros com excelente capacidade de remoção de nicotina e alcatrão e outros gases existentes na fumaça do cigarro. A descoberta de uma nova propriedade dos nanotubos aconteceu na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, no grupo de pesquisa liderado pelo professor José Maurício Rosolen. Os pesquisadores realizaram experimentos com auxílio de espectrometria de massa e infra-vermelho para chegar a aplicação nos filtros.
A descoberta no Departamento de Química da FFCLRP aconteceu quando a estudante de doutorado Elaine Matsubara testava filtros para tolueno. Como o grupo já domina a técnica de produção dos vários compósitos de nanotubos de carbono, começou a trabalhar inicialmente no desenvolvimento de um filtro para o tolueno.
“Usamos a queima do cigarro porque o professor Luis Alberto Beraldo de Moraes, da FFCLRP, que também faz parte do grupo, estava estudando a presença de tolueno na fumaça do cigarro. Simulamos uma pessoa fumando, com o filtro normal de um cigarro e com o filtro feito com o compósito”, diz o professor. ”Para nossa surpresa, um dos compósitos de nanotubo de carbono que estava sendo desenvolvido praticamente zerou os sinais da existência dessas substâncias na fumaça produzida pelo cigarro”.
O pesquisador revela que são vários os tipos de compósitos de nanotubos de carbono, mas que somente um apresentou potencial de filtrar essas substâncias, cujo nome é mantido em sigilo devido a um artigo científico em fase de publicação e ao pedido de patente já depositado. “O que podemos adiantar é que a capacidade de adsorver do compósito de nanotubo de carbono que trabalhamos é a sua interação eletrônica com as moléculas presentes nessas substâncias, ou seja, a capacidade das moléculas de ambos em se interagir e se ligar”, ressalta. 
Perspectivas
A descoberta pode abrir perspectivas não só para a área de saúde, mas para toda a indústria que despeja diariamente toneladas de substâncias nocivas no ar. O professor alerta, porém, que o próprio nanotubo de carbono tem certo grau de toxicidade. “No caso do cigarro, por exemplo, a indústria tem que garantir que nenhum tubinho se desprenda e vá parar na saliva”.
Nanotubos de carbono são átomos de carbono, organizados em forma de cilindro, com o diâmetro de cerca de um nanômetro, a bilionésima parte do metro. O diamante e o grafite também são materiais formados somente por carbono, o que diferencia cada um desses materiais é a forma de organização e ligação dos átomos. No diamante, por exemplo, cada átomo se liga a quatro outros. Já nos nanotubos eles se organizam em folhas, mas ao invés de estar empilhadas como no grafite, cada folha se enrola em forma de cilindro. Uma única folha dá origem a um nanotubo de parede única, mais de uma folha temos um nanotubo de parede múltipla.
Os nanotubos de carbono, segundo a literatura científica aparecem como um dos materiais mais importantes na área de nanotecnologia. Existem relatos de que, por serem pequenos e leves, podem chegar ao interior de uma célula e serem utilizados como sensores para diagnósticos médicos.
Desde que foram descobertos em 1991, pelo pesquisador japonês Sumio Iijima, os nanotubos de carbono se tornaram uma grande vedete no meio científico, devido principalmente as suas propriedades que possibilitam inúmeras aplicabilidades, que vão desde a eletrônica até ao armazenamento de energia. Os pesquisadores  da FFCLRP trabalham desde 2000 com produção de compósitos de nanotubos de carbono, visando uma série de aplicações não só na área de saúde, mas também em catálise, bioquímica, materiais compósitos, baterias de íons de lítio e células combustíveis.
(Fonte: Rosemeire Soares Talamone, do Serviço de Comunicação Social da Coordenadoria do Campus de Ribeirão Preto) 
Mais informações: (16) 3602-3787; e-mail rosolen@ffclrp.usp.br

Matéria publicada no Jornal Serrano/SP Em 09/06/2009

Cigarros sem fumaça, sem alcatrão e, por enquanto, sem regulamentação

The New York Times

 
FALL RIVER – Durante os 34 anos em que fumou, Carolyn Smeaton tentou de maneiras incontáveis reduzir seu hábito de fumar três maços por dia, incluindo um adesivo de nicotina, bala de nicotina e uma droga prescrita. Mas o auxílio para parar de fumar sempre fracassou.

Então, ao assistir o infomercial da TV em sua casa, Smeaton tentou usar um cigarro eletrônico, que afirmam ser a maneira menos perigosa de alimentar seu vício. O dispositivo à bateria, que ela comprou pela internet, tinha uma dose de nicotina sem odor e alguns aromatizantes sem alcatrão ou aditivos, e produzia uma névoa quase idêntica à do cigarro de tabaco.

“Eu sinto que isso poderia salvar minha vida”, disse Smeaton, 47, que diminuiu a quantidade de tabaco por dia para um maço e meio, complementado por seu “e-cigarettes” (e-cigarros, em tradução livre).

Esses cigarros eletrônicos são irregulares e o fato de não ser testado não deteve milhares de fumantes de se aglomerarem em quiosques de shoppings ou na internet para comprá-los. E porque eles não soltam fumaça, podem ser usados em locais de trabalho, restaurantes e aeroportos. Um esperto distribuidor de denomina como Smoking Everywhere (Fumar em todo lugar, em tradução livre).

A reação das autoridades médicas e os grupos anti-fumo passaram de pedidos de testes para o ceticismo e, então, para a hostilidade absoluta. Oponentes dizem que as declarações sobre segurança são mais rumores do que qualquer coisa, já que os componentes do “e-cigarettes” nunca sofreram testes de segurança.

Na verdade, a Administração de Alimentos e Drogas (FDA, sigla em inglês) já recusou a entrada de doze carregamentos de “e-cigarettes” vindos para o país, a maioria proveniente da China, principal produtora e onde a manufatura começou há cerca de cinco anos. A FDA tomou uma ação similar em 1989, recusando os carregamentos de uma versão mais antiga e menos atraente, o “Favor Smoke-Free Cigarettes”.

“Parece que são dispositivos de produtos de drogas não aprovados”, disse Karen Riley, porta-voz da agência, “e sendo produtos não aprovados, não podem entrar nos EUA”.

Mas quantidades suficientes de e-cigarettes conseguem entrar no país, no qual continuam a proliferar via online ou em shoppings.

Por US$ 100 até US$ 150 ou mais, um usuário pode comprar um kit inicial que inclui baterias para o cigarro e cartuchos descartáveis que contém nicotina (embora os cartuchos possam ser comprado sem a substância), aromatizante e propileno glicol, um líquido que evapora, produzindo uma fumaça parecida com a do cigarro. Quando o usuário o inala, um sensor aquece o cartucho. Os aromatizantes incluem tabaco, menta, cereja e níveis de nicotina de acordo com cada cartucho.

O propileno glicol é usado como matéria anti-congelamento, e também para criar fumaça artificial ou neblina em produções teatrais. A FDA classificou-o como um aditivo que é “geralmente reconhecido como seguro” para uso na comida. Mas quando questionado se inalar a substância era seguro, o Dr. Richard D. Hurt, diretor do Centro de Dependência em Nicotina, na Clínica Mayo, disse “eu acho que não, mas não tenho certeza se alguém sabe ao certo”.

Oficiais da saúde pública também se preocupam com que os dispositivos com sabores de frutas, sendo novidade e de fácil acesso possam atrair as crianças.

A volta do lobby dos bingos

O Estado de S. Paulo
Tão logo sentiu que se tinha arrefecido o impacto do escândalo do mensalão, ao qual foi associado, e das operações da Polícia Federal contra os bingos, o poderoso lobby da jogatina voltou à cena com toda força no Congresso para tentar mais uma vez legalizar esse tipo de jogo, aproveitando-se da divisão da maioria dos partidos a respeito da questão. A importante vitória que ele acaba de conseguir, com a aprovação de projeto nesse sentido na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, soa como um sinal de alarma.

Habilidade, persistência e ousadia é o que não falta a esse grupo. Ao perceber que a maior resistência a ele, na área do governo, estava no Ministério da Fazenda, o relator do projeto, deputado João Dado (PDT-SP), e seu colega Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), presidente da Força Sindical, procuraram em fevereiro o secretário executivo da Pasta, Nelson Machado, para discutir a questão. Em consequência dessa e de uma nova conversa, dias atrás, Dado fez algumas “concessões” para tornar a proposta mais palatável: retirou do texto a legalização dos cassinos, deixou a fiscalização dos bingos a cargo do Ministério da Fazenda e da Receita Federal e aumentou o porcentual de royalties a ser pago ao poder público, que passou de 15% para 17% da receita, descontados prêmios e tributos.

Para dar um tom “social” aos bingos, daquele porcentual 15% irão para a saúde, 1% para o esporte e 1% para a cultura. A União receberá 30% e os Estados, 70%. Na ânsia de seduzir os incautos ou de dar boas desculpas aos que querem aderir à jogatina, mas ainda sentem uma ponta de vergonha, Dado e seus companheiros vão a ponto de propor um cômico Catálogo Nacional de Pessoas Dependentes, que serão proibidas de frequentar os bingos, como se fosse possível dissociar jogo e vício.

Não é por acaso que esse projeto nasceu com a marca de deslavada malandragem. Sua versão original é um projeto do deputado Antônio Carlos Mendes Thame (PSDB-SP) que propõe exatamente o contrário – a proibição do jogo. Indicado para relatar a proposta, João Dado apresentou substitutivo virando-a do avesso, sem o menor constrangimento. Compreende-se a indignada reação de Mendes Thame: “É uma grande farsa. Se não querem meu projeto, derrubem e apresentem outro.”

O grande problema dos bingos, seu pecado original, é que eles não são o que parecem. Segundo cálculos da Associação Brasileira dos Bingos (Abrabin), o funcionamento legal das casas de bingo proporcionará cerca de R$ 6 bilhões anuais em impostos, R$ 12 bilhões em prêmios e R$ 6 bilhões de receita aos empresários que vão explorá-las. Atrás dessa fachada é que mora o perigo. Os bingos estão sabidamente longe de ser um passatempo inofensivo, principalmente para idosos e aposentados, como sugerem seus defensores. Há muito vêm sendo acumuladas provas da sua utilização para lavagem de dinheiro do crime organizado.

Em 2004, por exemplo, o promotor de Justiça Rodrigo Dias Canelas chamou a atenção para documentos da Divisão Investigativa Antimáfia, da polícia italiana, encaminhados por ela ao Ministério Público de São Paulo, segundo os quais dinheiro sujo de várias origens, inclusive do narcotráfico, era lavado no Brasil por empresas ligadas à importação e exploração de jogos eletrônicos, com os quais grande parte dos bingos se envolveu. Seria ingênuo acreditar que os bingos – que, legalizados, serão explorados basicamente pelas mesmas pessoas – se curaram, por milagre, dessa doença. Na mesma ocasião, quando o Congresso discutia outro projeto legalizando os bingos, o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, afirmou que tudo indicava que as atividades ligadas aos bingos serviam de fachada para a lavagem de dinheiro sujo. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi mais contundente, quando comparou essa jogatina à prostituição infantil.

Em vez de participar de entendimentos com os defensores da jogatina, o Ministério da Fazenda deveria alinhar-se com o pensamento do presidente a respeito dela. De Lula espera-se que, coerente ao que disse cinco anos atrás, ordene à base aliada no Congresso que vote contra o projeto de legalização dos bingos. E do maior partido da oposição, o PSDB, que fique ao lado do tucano Mendes Thame.

Idosos não precisam mais apresentar o RioCard em transportes públicos

Do G1, no Rio
A Justiça determinou que os idosos não precisam mais apresentar o RioCard para utilizar os transportes públicos. Os desembargadores da 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça acolheram o recurso do Ministério Público e reformaram a decisão liminar ajuizada pelo MP em 2005, reconhecendo que não há necessidade de qualquer documento que não seja a carteira de identidade, para entrar em qualquer meio de transporte público no município do Rio.

Como à decisão cabe recurso, ela só começa a valer caso não haja recurso ou se for discutida em última instância. “A decisão foi bastante clara. Agora, basta apresentar a carteira de identidade para conseguir gratuidade nos meios de transportes públicos do Rio de Janeiro”, informou a promotora de Justiça Eliane Almeida de Abreu Belém.
A decisão foi tomada durante uma sessão pública no Tribunal de Justiça do Rio. Por isso, segundo a promotora, não há necessidade de que a Fetranspor ou o Sindicato das Empresas de Ônibus sejam notificados.

De acordo com a Promotora Eliane Belém, cerca de 80% das reclamações feitas nas Promotorias de Justiça de Proteção ao Idoso e à Pessoa Portadora de Deficiência estão relacionadas a problemas com o RioCard.
“Os idosos têm dificuldade em conseguir o cartão. Cerca de 80% das reclamações estão relacionadas ao acesso gratuito, sobretudo em ônibus. Os idosos reclamam, também, que alguns motoristas não param nos pontos. Nossa expectativa é de que agora os idosos sejam tratados com mais respeito”, concluiu a promotora.

Dia Mundial de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa na Cinelândia

O Dia Internacional de Combate à Violência contra a Pessoa Idosa, comemorado nesta segunda-feira, será marcado por um grande ato, de 10h às 14h, na Praça Cinelândia, no Centro do Rio. A ação da Secretaria Especial de Envelhecimento Saudável e Qualidade de Vida tem como objetivo a conscientização sobre o problema, sensibilizando a população através de esquetes teatrais e distribuição de folhetos.

As pessoas que passarem pelo local podem participar de um circuito de atividades que simulam as limitações enfrentadas pelos idosos no dia-a-dia, em decorrência da idade. Os voluntários a participar das brincadeiras vão se locomover carregando uma mochila com peso ou usando óculos embaçado, além de conversar com algodão nos ouvidos.

Matéria publicada no site Sidney Rezende

A PEC da Bengala

Autor(es): Mauro Chaves
O Estado de S. Paulo - 06/06/2009

Há uma discussão muito interessante, no meio jurídico e acadêmico brasileiro, em torno da chamada PEC da Bengala. Trata-se de uma proposta de emenda constitucional (de nº 457/2005), de autoria do senador Pedro Simon (PMDB-RS), já aprovada no Senado e nas comissões técnicas da Câmara dos Deputados, destinada a elevar de 70 anos para 75 anos a idade-limite para a aposentadoria compulsória no serviço público.

Os defensores da mudança argumentam que a “expulsória” aos 70 anos foi instituída no Brasil em 1952, com a aprovação do Estatuto dos Funcionários Públicos Federais, época em que a expectativa de vida dos brasileiros era de 50 anos. Hoje, segundo dados do IBGE, essa expectativa passou para 81 anos. Se fosse para seguir a lógica literal desse argumento, se há 57 anos a aposentadoria compulsória devia se dar quando o servidor público tivesse 20 anos a mais do que a expectativa de vida brasileira, hoje deveria ser obrigado a aposentar-se só aos 101 anos de idade (ou seja, 81 mais 20). Mas os defensores bengaleiros contentam-se com apenas mais cinco anos, o que é bastante razoável, considerando o extraordinário aumento da longevidade que a ciência, a medicina e a farmacologia têm propiciado aos seres humanos nas últimas décadas.

De boa-fé, não há como negar a grande diferença de idade dos que eram considerados “velhos” há 50 anos e dos que assim são considerados hoje em dia. Não cometa a bobagem (já cometi) de presentear uma jovem senhora, que comemora o aniversário de 30 anos, com o famoso livro de Balzac A Mulher de Trinta Anos. Pois se ler o livro ela ficará furiosa, achando que você a considera uma velhota, já com filhos e netos criadíssimos e os desejos reduzidos à expectativa naftalínica da missão cumprida – como os que tinham as provectas balzaquianas de nossa infância, semelhantes às descritas pelo escritor francês.

A polêmica em torno da PEC da Bengala deveria suscitar discussões a respeito do alargamento do tempo de vida das pessoas, da extensão da duração da nossa capacidade intelectual, da melhor utilização do acúmulo de conhecimento e do refinamento da sabedoria, trazido pelo avanço da maturidade. Poderia também referir-se à reverência que existe em sociedades de culturas milenares e evoluídas ao pensamento robustecido pela experiência dos mais idosos. E, certamente, poderia trazer à baila questões previdenciárias fundamentais, tais como a da injustiça de fazer as próximas gerações arcarem com todo o pesado custo do aumento da longevidade das atuais. A questão, no entanto, resvalou para uma briga de interesses por posições no Poder, sobretudo nos tribunais superiores – uns querendo mais tempo para ficar e outros, maior rodízio para entrar.

O argumento principal das associações e entidades de classe que se opõem à extensão da idade-limite da “expulsória” – como as de magistrados, de procuradores e de advogados, dizendo respeito ao preenchimento de vagas nos tribunais superiores – refere-se à “necessidade de renovação, de oxigenação” da função jurisdicional, como se a capacidade de se abrir a novos horizontes do conhecimento, de acompanhar a evolução da sociedade e de entender as leis que regulam ou institucionalizam essa evolução estivesse na razão inversa da idade dos magistrados. Tal visão não passa de um preconceito etário – venha de jovens ou de velhos -, pois a idade jamais foi fator de estagnação de discernimento e nem sempre o mais jovem é mais evoluído do que o mais velho. Tome-se o caso de nosso Supremo Tribunal Federal. Se fosse para avaliar, por exemplo, quem tem perfil mais conservador, entre a ministra Ellen Gracie e o ministro Eros Grau, qual dos dois se escolheria?

Ninguém negará que a Suprema Corte dos Estados Unidos é uma instituição com excepcional capacidade renovadora e de entendimento da evolução de uma sociedade, razão pela qual se tornou o principal sustentáculo de uma democracia cada vez mais sólida, contínua, sem golpes ou ditaduras, apesar de ter passado por uma guerra civil sangrenta e por muitas outras guerras pelo mundo afora, nos últimos 222 anos. Atualmente, pontificam na Suprema Corte e interpretam os mais elevados interesses da sociedade norte-americana, entre outros idosos, os juízes John Paul Stevens, de 89 anos, Ruth Bader Ginsburg, de 76 anos, Antonin Scalia, de 73 anos, e Anthony Kennedy, de 72 anos. Em anos recentes, aposentaram-se daquele tribunal Harry Blackmun, então com 85 anos, William Brennan, com 84 anos, Thurgood Marshall, com 83 anos, e William Rehnquist, com 80 anos. Terão eles impedido a “oxigenação” da Corte que é a guardiã suprema da democracia norte-americana?

Também se afirma que, retardando a idade-limite da “expulsória”, a sociedade seria obrigada a suportar por mais tempo os malefícios causados por magistrados inadequados ou incompetentes. Mas um juiz que é ruim a longo prazo o será a curto e a médio. Mais importante é a criação de mecanismos rigorosos de avaliação de candidatos a tribunais superiores, fazendo com que os valores do notório saber e da reputação ilibada pesem muito mais do que os do compadrio político. E em caso de irregularidades ou de quebra de decoro o melhor remédio será mesmo o criterioso impeachment – sem esperar por aniversário algum.

Na vida acadêmica, ao obrigar a aposentadoria compulsória de professores titulares, no auge de seu trabalho científico e em pleno esforço de formação de seus orientandos, a “expulsória” vigente, dos 70 anos, constitui um tremendo desperdício de inteligência – podendo-se dizer o mesmo em relação a vários outros setores. Então, não será extremamente bem-vinda a PEC da Bengala?

Mulheres terão vida mais longa e maior poder econômico

Época – Autor(es): Fernanda Colavitti

A alteração do status da mulher vai liderar as mudanças de comportamento social no Brasil

ELAS PODEM
Baile da terceira idade no centro de São Paulo. As mulheres serão maioria e viverão mais, com maior poder econômico
As pessoas estão acostumadas a pensar no próprio comportamento como uma questão de escolhas: elas são o que são e fazem o que fazem porque querem. Parece simples, mas a realidade é outra. Quando se olha para o país como um todo, e para os grandes movimentos demográficos em curso, percebe-se que opções individuais são influenciadas (se não determinadas) por um cenário mais amplo: o das grandes mudanças sociais. Para imaginar como se comportarão os brasileiros de 2020 – como serão as famílias, como serão os casamentos, como serão as relações entre jovens e entre os gêneros –, é imperioso entender que o país será moldado por três fenômenos de grande envergadura: a redução da taxa de natalidade, o aumento da longevidade e a preponderância das mulheres.

Um país com menos crianças, mais idosos e com mulheres mais numerosas e influentes – essa é, em grandes linhas, a cara do Brasil de 2020, pelo que se depreende dos dados e das projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). “O Brasil caminha para ser um país de pessoas mais velhas, com famílias menores e mais mulheres chefes de família”, afirma Ana Lucia Saboia, chefe da divisão de indicadores sociais do IBGE.

A redução e a transformação da família já são visíveis. Dez anos atrás, a família brasileira média tinha 3,6 pessoas. Atualmente, tem 3,2. Dentro de uma década, o núcleo social básico será ainda menor – e mais diverso. Uma tendência clara registrada pelos demógrafos é do casamento sem filhos. São os chamados Double Income, no Children (Duas Rendas, Nenhum Filho). Há cerca de 35 milhões de casais no Brasil, e, desses, 2 milhões já não têm filhos. Essa é uma tendência mundial que o Brasil está copiando. Da mesma forma, tende a crescer o número de divórcios e de casamentos entre pessoas já separadas. Os divórcios já somam todos os anos um quarto do número de casamentos, proporção que tem subido ano a ano desde 1984, quando o divórcio foi instituído no país. Simultaneamente, cresce o número de casamentos entre pessoas que já foram casadas. Eles já são 17%, dobraram na última década e, segundo os especialistas, tendem a dobrar de novo até 2020. “Atribuo isso a uma tolerância maior das pessoas que buscam o casamento. Houve uma ruptura com a ideia do casamento eterno”, afirma Cláudio Crespo, gerente de estatísticas vitais e saúde do IBGE.

Outra mudança diz respeito aos homossexuais. Mudou a compreensão da sociedade brasileira desse fenômeno, que poderá aceitá-los melhor não só na família, mas também na escola e no mercado de trabalho. “Daqui a dez anos haverá ainda mais respeito à diversidade sexual”, afirma Maria Luisa Heilborn, doutora em antropologia sexual e coordenadora do Centro Latino-Americano em Sexualidade e Direitos Humanos. “Digo respeito, e não tolerância, porque a palavra tolerar é fraca. O que se deseja é respeito.”

Muitas das novas configurações na sociedade decorrem diretamente da emancipação feminina. A ascensão social das mulheres – que o historiador britânico Eric Hobsbawm já havia identificado como um dos grandes fenômenos do século XX – seguirá sendo uma das forças de mudança na primeira metade do século XXI. Cresce a independência feminina, aumenta sua presença no mercado de trabalho e sua escolaridade. Isso tudo influencia nas escolhas que elas fazem (e farão) na vida particular e afetiva. Das decisões das mulheres resultam taxas de natalidade menores – eram 2,39 filhos por mulher em 2000; será 1,53 filho por mulher em 2020 – e famílias menores. Mesmo o casamento, que costumava chegar para as mulheres por volta dos 24 anos, na próxima década deverá acontecer aos 28. “As mulheres não podem mais ficar em casa tendo filhos”, afirma Ana Saboia, do IBGE. “Cada vez mais, elas vão trabalhar.”

Desse movimento de profissionalização feminina já resultou o crescimento do número de mulheres como principais provedoras das famílias. Trinta por cento dos lares brasileiros têm essa conformação econômica, uma tendência que tende a se fortalecer. Entre outras razões para que isso aconteça está o fato de que elas são maioria – em 2020, o excedente de mulheres em relação aos homens no Brasil será de quase 5 milhões – e, adicionalmente, vivem mais. Enquanto a expectativa de vida masculina será de 72 anos em 2020, as mulheres chegarão em média aos 80. Logo, temos pela frente um país com mais mulheres – que serão mais prósperas e mais velhas do que são hoje. Por pressão demográfica, é provável que cresça o número de mulheres solteiras no Brasil.

SOLTEIRAS
Movimento dos Sem Namorados e sua marcha em São Paulo. Mais mulheres significa mais solteiras
O que significa, para o comportamento dos jovens, uma sociedade de pessoas mais velhas e mulheres poderosas? A primeira mudança, óbvia, é a ampliação do contato entre gerações. No passado recente, muitas pessoas não conheciam os próprios avós. Agora, é comum que as crianças conheçam seus bisavós. No futuro, virão a conhecer seus tataravós. As crianças, muitas delas filhos únicos, receberão boa parte do investimento e da atenção doméstica – mas terão, quando adultos, a imensa responsabilidade de cuidar de seus velhos em uma sociedade que não se preparou para isso. Se o modelo espanhol e italiano prevalecer no Brasil – como os demógrafos imaginam –, os jovens viverão mais tempo na casa dos pais, retardando o início da carreira e a formação da própria família. Encontrar trabalho será mais difícil.

Filhos únicos, criados com abundância de recursos
materiais, significam mais vida social na internet

Filhos únicos, criados em abundância de recursos, significam mais vida digital. Os relacionamentos sociais pela internet serão cada vez mais importantes – embora os instrumentos que o tornarão possível talvez nem tenham surgido. Poucos especialistas imaginam que dentro de uma década as pessoas usarão a internet por meio do computador e do celular. Mas certamente haverá uma internet. “As pessoas tendem cada vez mais a viver imersas no fluxo de informações”, diz o professor Silvio Meira, da Universidade Federal de Pernambuco. Os adolescentes e as crianças de hoje já estão desenvolvendo códigos de conduta e relacionamento próprios para a rede, com muito exibicionismo e pouco cuidado com a privacidade. Isso vai se acentuar? “Sim e não”, diz Raquel Recuero, professora da Universidade de Pelotas. “As pessoas vão se expor mais na rede, mas, gradualmente, vão descobrir que os limites da privacidade são importantes.” Espera-se que em 2020 a influência das redes de relacionamento digital sobre a vida social seja ainda maior.
Época – 25/05/2009

O gargalo da aposentadoria

Época – 25/05/2009 – Autor(es): José Fucs

O deficit crescente da Previdência Social ameaça o sistema e consome recursos que poderiam ser aplicados em educação, saúde e habitação

Sob muitos aspectos, o amadurecimento da população brasileira é uma benesse. Teremos, na próxima década, uma pirâmide demográfica mais equilibrada, com um número maior de pessoas em idade produtiva. Num ponto, porém, essa nova pirâmide traz um enorme problema. Até 2020, o aumento do número de idosos será compensado pelo crescimento, ainda maior, da população economicamente ativa. A partir daí, a participação dos idosos na população continuará crescendo, mas a parcela de pessoas em idade de trabalhar não. Isso criará uma nova pressão sobre a Previdência Social.

Hoje, há 12,4 milhões de pessoas com mais de 65 anos no país, o equivalente a 10% da população economicamente ativa. Em 2020, a população do país vai crescer cerca de 10%, para 209 milhões de habitantes. Mas o número de idosos vai crescer mais de 50% no mesmo período. Eles serão 19,1 milhões. Isso significa que haverá menos trabalhadores da ativa para sustentar os aposentados. Ou cada um deles vai ter de descontar mais dinheiro de seu salário para sustentar os novos beneficiários, ou o governo vai ter de cobrir a diferença, elevando o deficit público.

Diante de questões como a baixa qualidade do ensino e do sistema de saúde públicos, o gargalo da Previdência pode dar a impressão de que não é tão relevante. Mas a Previdência é a principal causa de desequilíbrio nas contas públicas do país. Hoje, ainda é algo relativamente administrável – provavelmente por isso nem sempre receba a devida atenção. Mas, se nada for feito para resolver o rombo, ele tende a funcionar como um forte freio para o crescimento do país dentro de duas ou três décadas.

Nos últimos dez anos, o rombo da Previdência
Social atingiu cerca de R$ 500 bilhões
De acordo com as projeções dos economistas, o deficit do governo para pagar os benefícios dos aposentados e pensionistas vai se tornar cada vez maior. Vai reduzir ainda mais a capacidade de investimento do governo, que já é baixa, aumentar a dívida pública, que já é alta, e também os juros pagos aos investidores para financiá-la. Isso vai drenar recursos que, de outra forma, poderiam ser usados para financiar a produção e o consumo privados. Mais que isso, vai colocar em xeque a real capacidade do governo de honrar o pagamento dos benefícios aos aposentados que dependem desse dinheiro para sobreviver. “A bomba-relógio da Previdência precisa ser desarmada antes disso”, diz Fernando Albuquerque, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que trabalhou no projeto de revisão da pesquisa da população do país por sexo e idade, realizada em 2008.

Não é de hoje que o governo gasta mais com o pagamento de benefícios do que arrecada com as contribuições dos trabalhadores da ativa, mas o problema vem se agravando, apesar das mudanças introduzidas no governo Fernando Henrique Cardoso e no atual. Só neste ano, o deficit deverá atingir quase R$ 90 bilhões. É o dobro do valor a ser aplicado pelo governo federal em educação. Incluem-se aí o pagamento de benefícios para aposentados e pensionistas do setor público e do setor privado, normalmente separados na contabilidade oficial. Nos últimos dez anos, a conta chega a R$ 500 bilhões – o equivalente a 40 anos de Bolsa Família. Apesar de os trabalhadores e as empresas deduzirem uma parcela pesada de seus ganhos para custear o rombo, os números ainda ficam no vermelho na hora de fechar o balanço.

A maior fatia do buraco deve-se aos 3 milhões de aposentados do setor público, que representam 14% do total de 22 milhões de aposentados do país. Eles consomem 40% de todo o dinheiro da Previdência Social, mas contribuem com apenas 13% da arrecadação. Deixam um deficit anual de quase R$ 40 bilhões ao governo. O benefício médio dos aposentados do setor público está em torno de R$ 2.200 por mês, mais que o dobro da renda média do país. “O benefício que a Previdência Social deveria conceder aos cidadãos teria de ser semelhante à renda média do país, mas não é o que acontece. Ela paga um benefício que talvez a sociedade não possa manter”, afirma Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco e ex-presidente da Bradesco Previdência, maior empresa de planos privados de aposentadoria do país. “O próximo presidente provavelmente terá de propor algo a esse respeito”, diz o economista Fabio Giambiagi, autor do livro Reforma da Previdência: o encontro marcado (Editora Campus). “Do jeito que a coisa vai, o risco é que, em 2020, não sobre nada para o governo investir.”

Enquanto isso, os aposentados do setor privado, que somam 19 milhões de pessoas – seis vezes mais que os do setor público –, dividem os 60% restantes dos recursos previdenciários. Recebem um benefício médio de R$ 655 por mês, menos de 30% do valor que recebem os aposentados do setor público. Cerca de 70% dos beneficiários ganham menos de um salário mínimo.

Nos últimos dez anos, houve reformas no sistema. Em 1998, o governo Fernando Henrique conseguiu limitar a aposentadoria por idade e vinculá-la ao tempo de contribuição para os trabalhadores da iniciativa privada. Em 2003, depois de muita briga com o funcionalismo, base eleitoral do PT, o atual governo criou um teto para os servidores, hoje de R$ 3.200. Também foram aprovadas idades mínimas – 60 anos para os homens e 55 anos para as mulheres – para a aposentadoria dos funcionários públicos. Por fim, o governo Lula instituiu uma contribuição de 11% para os aposentados do serviço público. Nada disso foi suficiente para deter a escalada do deficit previdenciário. O governo dá sinais de querer empurrar a reforma da Previdência para um futuro distante. É compreensível. Mexer com os proventos dos aposentados não favorece a popularidade de ninguém. Mas em algum momento o Brasil vai precisar parar de cavar esse buraco.

Vida longa e cheia de remedinhos

Revista Época – Autor(es): Cristiane Segatto

Mais idosos, mais doenças crônicas, mais custos. O Brasil enfrentará esse desafio e também a tentação de adotar novas, maravilhosas e caras tecnologias

Na próxima década, o Brasil enfrentará três desafios na saúde: cuidar de uma enorme população de velhos, manter sob controle várias doenças crônicas e fazer as duas coisas sem quebrar os cofres públicos nem o bolso dos contribuintes. Em 2020, as pessoas com mais de 60 anos serão 14% da população (atualmente são 10%). Viveremos mais – o que é um sinal de que as condições de saúde melhoraram. Mas passaremos muitos desses anos extras sofrendo de doenças crônicas – o que não é tão animador. Cuidar da saúde ficou mais caro e complexo. Para o sistema de saúde isso é ruim. Antigamente, bastava dar antibióticos e despachar os doentes para casa. Havia dois desfechos possíveis: eles saravam ou morriam. Na próxima década, será cada vez maior o contingente de pessoas que precisarão de cuidados médicos e remédios caros para o resto de uma longa vida.

É possível, porém, que a sociedade consiga se preparar para a nova realidade. “Sou otimista”, diz Luiz Roberto Ramos, professor de medicina preventiva da Universidade Federal de São Paulo. “Há 20 anos, quando começamos a apontar o desafio de cuidar de uma população idosa, as pessoas ainda achavam que o Brasil seria um país jovem para sempre”, diz. “Hoje, os governos reconhecem o problema e estão se preparando para isso.” Ramos afirma que as unidades básicas de saúde precisarão se reestruturar para atender idosos. Com famílias cada vez menores, haverá menos gente para cuidar dos velhos em casa. Se não tiverem onde buscar ajuda, vão sobrecarregar os prontos-socorros e comprometer o atendimento das urgências.

Em 2020, as principais preocupações de saúde serão a obesidade, os males cardiovasculares, o câncer e as doenças neurodegenerativas (Alzheimer, Parkinson etc.). É possível que até lá a sociedade passe a valorizar medidas de prevenção, como alimentação correta e atividade física. Mesmo que isso ocorra, efeitos positivos não devem ser observados num prazo curto. Pense na obesidade. Hoje, 43% dos brasileiros estão acima do peso. Não há sinal de que a proporção cairá na próxima década. O problema avança entre os adultos e, o que é pior, entre as crianças. A obesidade produz eventos de controle custoso: diabetes, infarto, acidentes vasculares cerebrais, câncer, depressão etc.

Além das doenças crônicas que se tornarão mais frequentes (leia o quadro abaixo), sempre haverá o imponderável – o surgimento de vírus e doenças. “Há 30 anos achávamos que doenças infecciosas como a gripe seriam controladas e o câncer seria o grande problema. Hoje, muitos tumores são curados e há pessoas morrendo com novas formas de gripe”, diz Florisval Meinão, da Associação Médica Brasileira.

De onde sairá o dinheiro para bancar o tratamento das doenças da próxima década? O professor Marcos Bosi Ferraz, do Centro Paulista de Economia da Saúde, oferece algumas projeções (leia ilustração abaixo) no livro Dilemas e escolhas do sistema de saúde (editora Medbook). No cenário otimista – se o PIB brasileiro crescer 5% ao ano e a inflação também ficar em 5% –, o Brasil precisará continuar investindo em saúde 8% do PIB (somados os gastos dos setores público e privado). Esse é o valor necessário para manter o tipo de atenção à saúde de que dispomos hoje. Para melhorar a qualidade dos serviços e bancar novas tecnologias e drogas mais caras, será necessário gastar mais. Bosi acredita que em 2020 o Brasil estará investindo 11% do PIB em saúde. “A pressão social por melhores serviços e a tentação de consumo de novas drogas e tecnologias só vão aumentar”, afirma.

O ritmo de inovação será irresistível. É possível que a análise do genoma se torne tão corriqueira quanto um exame de sangue. Hoje é possível receber uma avaliação de risco genético para o desenvolvimento de dezenas de doenças por US$ 1 mil. Mas a capacidade preditiva desses testes é muito limitada. O sequenciamento completo do genoma é oferecido por uma única empresa, a americana Knome. Pelo serviço, ela cobra a fortuna de US$ 350 mil. Os especialistas preveem que o preço caia drasticamente. “Em dez anos, esses testes serão comuns e acessíveis”, diz o professor George Church, da Universidade Harvard.

Outra tendência que veio para ficar é a medicina digital. A maioria das pessoas busca na internet informações sobre sua doença antes de ir ao médico ou depois de sair do consultório. Na próxima década, acessar prontuários médicos pela internet ou pelo celular será algo comum. “Os hospitais brasileiros estão investindo em digitalização e se preparando para isso”, diz Henrique Salvador, presidente da Associação Nacional de Hospitais Privados. Em caso de emergência em qualquer lugar do planeta, o paciente terá acesso a suas informações médicas pela internet. Poderá também enviar facilmente todos os seus exames a qualquer profissional quando quiser ouvir uma segunda opinião médica. O futuro nos reserva ferramentas maravilhosas. Só o tempo dirá se elas atenderão nossas expectativas. E se o custo delas será compatível com a nova realidade da saúde brasileira.

Reista Época – 25/05/2009

Pílula brasileira ilegal para emagrecimento preocupa EUA

CLÁUDIA COLLUCCI

A entrada ilegal nos EUA de pílulas de emagrecimento fabricadas no Brasil têm colocado médicos e a polícia americana em alerta. Os produtos, feitos em farmácias de manipulação, contêm derivados de anfetamina –substância estimulante da atividade do sistema nervoso central– proibidos nos EUA, mas liberados no Brasil. Um grupo de brasileiros foi preso em razão do comércio.

Estudo da Faculdade de Medicina de Harvard, publicado ontem no “Journal of General Internal Medicine”, mostra que esses remédios já afetam a saúde de americanos e de brasileiros que vivem nos EUA.

No trabalho, o clínico-geral Pieter Cohen, professor na Escola de Medicina de Harvard e médico no Cambridge Health Alliance, relata casos de pacientes que usaram as pílulas brasileiras para a perda de peso e sofreram aumento da pressão arterial, dores no peito e na cabeça, taquicardia, insônia, palpitação, entre outros.

Em estudo anterior, publicado no ano passado, Cohen constatou que uma a cada cinco brasileiras residentes nos EUA já usaram pílulas à base de anfetaminas para emagrecer.

O Brasil é o terceiro maior consumidor de anfetamina do mundo, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).

Segundo o médico, um dos ingredientes dessas pílulas –que também podem conter tranqüilizantes, antidepressivos, laxantes e diuréticos– é o femproporex, substância vendida legalmente no Brasil, de uso controlado. Está presente em grande parte das fórmulas de emagrecimento e age no sistema nervoso, diminuindo o apetite. Entre outros riscos, pode causar dependência.

Cohen afirma que o femproporex nunca chegou a ser aprovado pela FDA (a agência dos EUA que regula alimentos e medicamentos) porque diversas pesquisas clínicas não demonstraram nem a segurança e nem a eficácia da substância.

O médico conta que começou a se preocupar com o uso dessas drogas nos EUA quando passou a atender um número cada vez maior de pacientes que se queixavam de sintomas inexplicados, como dores no peito, tremores, dor de cabeça, insônia e náuseas.

O pior, relata Cohen, é que muitos dos pacientes não revelam aos médicos que estão usando os anorexígenos brasileiros porque temem represálias. “Quando isso acontece, essas pacientes podem receber um cuidado inapropriado, pois os sintomas podem ser incorretamente associados a outras doenças”, disse Cohen à Folha.

Mercado

Em geral, segundo o médico, esses remédios são vendidos às escondidas em lojas de conveniência americanas ou enviados por parentes e amigos de brasileiros que vivem nos EUA.

Em maio deste ano, a polícia americana prendeu um grupo de brasileiros que vendia essas pílulas em Marlborough, no Estado de Massachusetts. No dia do flagrante, o grupo havia recebido do Brasil uma caixa com mais de 3.000 pílulas. O remédio era chamado de “dr. Caveirinha” (em inglês, dr. Skeleton), uma referência à perda de peso que ele proporcionaria.

Segundo Cohen, um dos seus pacientes perdeu o emprego por conta do uso das pílulas para emagrecimento. Ele trabalhava como motorista de caminhão quando foi submetido a um teste toxicológico –prática corriqueira nas empresas americanas–, que constatou anfetamina na sua urina.

“Tenho visto pacientes viciados nessas pílulas. Simplesmente não conseguem parar de consumi-las”, diz Cohen.

O psiquiatra Ronaldo Laranjeira, que coordena a unidade de pesquisa em álcool e drogas na Faculdade de Medicina da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), também relata ter atendido vários pacientes dependentes de anfetamina. Um deles, conta, é uma procuradora da Justiça que está afastada do trabalho há vários anos porque não consegue se livrar do uso de anfetaminas.

“A fiscalização no Brasil não tem controle, é débil. As pessoas compram até receita médica. Há muitas farmácias que incluem no preço da fórmula [das pílulas emagrecedoras] o valor da receita médica”, alerta.

Consumo

Um estudo divulgado em setembro pelo Escritório da ONU sobre Drogas e Crime (UNODC) revelou dados alarmantes sobre o mercado de anfetamínicos: o consumo mundial já supera o da cocaína e o da heroína somados.

Em razão do resultado, a organização ressaltou os perigos que envolvem o uso desse tipo de substância, que costuma ser considerada inofensiva. A pesquisa estimou que a produção de estimulantes chegue a 500 toneladas e movimente US$ 65 bilhões por ano.

O relatório especifica que o consumo das drogas sintéticas permaneceu estável nos países chamados desenvolvidos, mas aumentou no Sudeste Asiático e no Oriente Médio.

Segundo o presidente da entidade, Antonio Maria Costa, a situação também é crítica nos países latino-americanos -a Argentina é o maior consumidor de anfetaminas do mundo e o Brasil, o terceiro. Para combater a proliferação da droga, a ONU lançou o programa “Smart”, que pretende difundir informações sobre os males causados pelas anfetaminas e auxiliar governos de todo o mundo a diminuir o consumo.

Mais amargo que nunca

Luan Galani – CH On-line / PR

Substâncias potencialmente cancerígenas presentes em cigarros são detectadas no chimarrão
O consumo de chimarrão, infusão quente feita com folhas secas e picadas de erva-mate (Ilex paraguayensis), tem sido apontado como possível causa do câncer de esôfago. Estudo feito no Departamento de Clínica Médica da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), no Rio Grande do Sul, em parceria com o Instituto Nacional do Câncer, dos Estados Unidos, reiterou essa conclusão.

Antes, o risco de câncer de esôfago entre consumidores de chimarrão era atribuído à elevada temperatura da água utilizada para infundir a erva. “Agora, detectamos na bebida hidrocarbonetos potencialmente cancerígenos, que são comuns em cigarros”, afirma o coordenador do estudo, Renato Borges Fagundes, que participa também do Programa de Pós-graduação em Gastrenterologia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).
O benzopireno, substância cancerígena, embora não seja encontrada nas folhas de erva-mate, acaba indo parar na cuia de chimarrão. Pesquisadores do Rio Grande do Sul procuram saber por que isso acontece .
A erva-mate é um possível meio de transporte de tais substâncias, como o benzopireno. Pelo fato de são serem encontradas naturalmente na folha da erva-mate, os pesquisadores querem saber por que elas vão parar na cuia de chimarrão.
Foram aventadas duas hipóteses para explicar o fenômeno: a poluição ambiental seria responsável pela adesão das substâncias às folhas da planta ou isso ocorreria em decorrência do processo industrial de secagem das folhas. Esse processo, que emprega calor da madeira em combustão, acabaria por contaminar a erva.
“Os compostos do cigarro vão diretamente para o pulmão. No caso do chimarrão, ainda não se sabe que rotas esses compostos percorrem após a ingestão da bebida”, diz Fagundes. “Daí a necessidade de estudos complementares.”

A pesquisa
Na primeira etapa do estudo, 200 pacientes saudáveis foram separados em dois grupos: um de fumantes e outro de não-fumantes. Resíduos de hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP) – compostos com potencial cancerígeno – foram encontrados na urina de fumantes e também na de não-fumantes que consumiam chimarrão, o que surpreendeu o pesquisador.

Na segunda parte da pesquisa, foram avaliadas amostras das oito marcas mais vendidas de erva-mate. Fagundes simulou o consumo de uma pessoa que tomasse 12 cuias de chimarrão no período de uma hora. As ervas foram misturadas tanto com água quente (80°C) quanto com água fria (5°C). Independentemente da temperatura, os pesquisadores detectaram cerca de 200 nanogramas de benzopireno no somatório das 12 cuias. Isso equivale, aproximadamente, ao que se encontra em um maço de cigarros.
A doença
O câncer de esôfago é a sexta causa de morte pela doença em todo o mundo e a quarta nos países em desenvolvimento. Há uma alta taxa de incidência em países como China, Japão, Cingapura e Porto Rico. No Brasil, o Rio Grande do Sul é o estado com maior incidência da doença.
O benzopireno é uma substância mutagênica de elevado potencial cancerígeno que faz parte do grupo de compostos denominados HAP. Pode ser encontrado no cigarro e também como subproduto de processos de combustão, como a queima da madeira. Se ingerido ou inalado, é considerado fator de risco para o desenvolvimento de câncer.
A substância é tão carcinogênica que pode desencadear câncer em cobaias (ratos) pelo simples contato com uma área do corpo do animal. As moléculas interagem com o DNA das células, fazendo com que elas comecem a se dividir de modo anormal. Apesar dessas evidências, a equipe de Fagundes realiza no momento um estudo aprofundado sobre o impacto da eventual ingestão de benzopireno a partir do consumo de chimarrão.

Caqui, um aliado da saúde

Juliana Marques
Ciência Hoje On-line

Fruta impede acúmulo de radicais livres no organismo e previne doenças e envelhecimento precoce
caqui é o mais novo aliado dos médicos na luta contra o acúmulo de radicais livres no organismo, que contribuem para o envelhecimento celular precoce e o surgimento de doenças neurodegenerativas, como o mal de Alzheimer, além de diabetes e câncer. Estudo feito na Universidade de Brasília (UnB) comprovou que o caqui (Diospyros kaki) do tipo rama forte tem ação antioxidante, ou seja, reduz ou previne a oxidação, impedindo que radicais livres danifiquem células e tecidos do corpo.

Os efeitos do extrato da polpa de caqui foram comprovados em testes in vitro realizados pela nutricionista Luana Taquette Dalvi, do Departamento de Nutrição da UnB. A pesquisadora destaca que a fruta é rica em carotenoides como o betacaroteno (substância também presente em cenouras e abóboras), além de ser fonte de vitamina C. A presença desses compostos, entre outros, explicaria a ação antioxidante do caqui.

Para observar a ação do caqui sobre os radicais livres no organismo, a nutricionista realizou testes com células de fígado de rato adicionadas a um sistema que estimula a produção do radical hidroxil (composto por oxigênio e hidrogênio). “Esse radical reage rapidamente com as diversas moléculas do organismo, como proteínas, lipídios, carboidrato e o DNA”, ressalta Dalvi. O efeito do extrato de caqui foi muito positivo: inibiu em até 90% o dano oxidativo causado pelos radicais livres.

Mas a nutricionista alerta que o consumo de caqui deve ser controlado, pois a fruta tem alta concentração de açúcar e frutose, que representam até 60% de seu peso. “O ideal é ingerir grande variedade de frutas e, se possível, consumir um caqui por dia”, recomenda. Apesar de ter origem oriental, o caqui é cultivado em todo o Brasil.

Antioxidante campeão
Segundo Dalvi, o caqui pode ser considerado um alimento com alto teor de substâncias que combatem os radicais livres. Mas ainda serão necessários outros estudos para classificar a fruta como alimento funcional, que, além de fornecer energia para o organismo, previne contra doenças.

Atualmente a lista de alimentos funcionais inclui inúmeras frutas e legumes, como ameixa, morango, manga, uva, beterraba e pimentão, além da soja e do chá verde. Dalvi destaca a presença de compostos fenólicos (denominados polifenóis) no mecanismo responsável pela ação protetora desses alimentos. Quando consumidos, esses compostos ativam no organismo efeitos anticancerígenos, anti-inflamatórios e antioxidantes.

Para prevenir doenças, a nutricionista aconselha também o consumo de alimentos ricos em carotenoides e vitaminas A, C e E. “Além de uma alimentação equilibrada, é importante evitar hábitos que provoquem aumento de radicais livres no organismo, como fumo, exposição excessiva a radiação ultravioleta (UV) e uso de drogas”, completa.

Paixão pode durar mais de 20 anos, diz estudo

UOL – BBC Brasil
Um estudo realizado nos Estados Unidos indica que alguns casais conseguem se manter apaixonados mesmo depois décadas de união.

Com a ajuda de exames de tomografia, cientistas da Universidade de Stony Brooks, em Nova York, analisaram a atividade cerebral de casais que estão juntos há mais de 20 anos.

Eles descobriram que 10% deles, ao verem fotos de seus parceiros, mostraram as mesmas reações químicas que casais em início de romance.

Pesquisas anteriores sugeriam que a paixão e o desejo sexual de um casal começam a diminuir por volta dos 15 meses de relacionamento e chegam a desaparecer depois de dez anos.

‘Cisnes’
“Nossos resultados vão contra essa visão tradicional, mas temos certeza de que o que conseguimos observar é real”, disse o psicólogo Arthur Aron, um dos autores do estudo.

Segundo os pesquisadores, quando os casais de longa data viam fotos de seus parceiros, seus cérebros indicavam um fluxo maior de dopamina, neurotransmissor responsável pela sensação de prazer.

Para os cientistas, a descoberta indica que alguns elementos da paixão amadurecem, permitindo que casais de longa data desfrutem do que chamam de “companheirismo intenso e vivacidade sexual”.

Os pesquisadores disseram que esses casais têm o mesmo “mapa amoroso” cerebral que animais que mantêm os mesmos parceiros por toda a vida, como os cisnes, os arganazes e as raposas cinzentas.

No primeiro dia de funcionamento, novo sistema recebe 2 mil pedidos de aposentadoria

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

Brasília – Beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aguardam atendimento em agência da Previdência Social
Brasília – No primeiro dia de funcionamento do novo sistema do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para concessão de aposentadoria por idade em 30 minutos, os postos da Previdência Social atenderam 2.016 trabalhadores em todo o país. O balanço parcial foi apresentado hoje (6) pelo ministro José Pimentel.

No entanto, a Previdência ainda está realizando levantamento para verificar quantos desses trabalhadores efetivamente conseguiram o benefício ontem (5), primeiro dia de vigência da nova regra. Isso porque durante o atendimento na agência, a Previdência verifica se o cidadão cumpre os requisitos para aposentadoria por idade: ter 60 anos, no caso das mulheres, e 65, no caso dos homens, com pelo menos 15 anos de contribuição.

Para hoje, outros 2.336 atendimentos para concessão rápida de aposentadorias por idade estão agendados em agências da Previdência em todo o país. De acordo com o governo, os atendimentos duram, em média, 30 minutos. “Em 2003 e 2004, a média de tempo para concessão desse tipo de benefício era de 120 dias”, comparou Pimentel, em entrevista à Rádio Nacional.

De acordo com o ministro, em março, o serviço será estendido para pedidos de aposentadoria por tempo de contribuição, maioria dos benefícios pagos pelo INSS. Nesses casos, os requisitos são pelo menos 30 anos de contribuição, para as mulheres, e 35 anos, para os homens, independentemente da idade.

“Em julho, vamos passar a atender também segurados especiais: trabalhadores rurais, agricultores familiares, pescadores artesanais, extrativistas, remanescentes de quilombos, indígenas”, adiantou Pimentel.

O ministro atribuiu a alteração no trâmite de concessão de aposentadorias à mudança na legislação previdenciária do país, com a criação de um sistema automático de reconhecimento de direitos previdenciários, a investimentos de cerca de R$ 280 milhões na Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (DataPrev) e nas agências de atendimento ao trabalhador e à capacitação de servidores do INSS.

“Estamos expandindo rede de agências para mais 715 municípios brasileiros até 2010”, acrescentou.

Para requerer a concessão de aposentadoria por idade em 30 minutos, o trabalhador precisa telefonar para a Central 135 e agendar atendimento em uma das agências da Previdência. “A média de tempo entre a ligação e o atendimento é de cinco dias. Nas pequenas e médias cidades é no mesmo dia”, afirmou o ministro.

A análise de benefícios é baseada nos dados referentes a vínculos e contribuições existentes no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS). Se o trabalhador notar a existência de lacunas no seu cadastro, poderá pedir a inclusão de dados, mas terá que comprovar sua legalidade por meio de documentos.

Ainda é difícil se aposentar por idade

Autor(es): Vânia Cristino – Correio Braziliense

Poucos brasilienses conseguiram ontem, no primeiro dia de funcionamento do sistema automático de concessão de aposentadorias, levar o tão sonhado benefício para casa em apenas 30 minutos. Dos 38 trabalhadores que agendaram o pedido de aposentadoria urbana por idade nas 10 agências do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) do Distrito Federal, apenas 20% saíram com a certeza da concessão da aposentadoria. Muitos simplesmente não compareceram aos postos de atendimento e outros não conseguiram comprovar o tempo mínimo de contribuição para a Previdência Social exigida que, no caso da aposentadoria por idade, é de 15 anos.

Na maior agência da Previdência Social de Brasília, localizada no Setor Bancário Sul, próxima à rodoviária da cidade, apenas oito atendimentos para aposentadoria por idade foram agendados. Desse total, apenas dois saíram aposentados do posto. Dois não apareceram e os outros quatro não conseguiram a aposentadoria porque não tinham o tempo mínimo de contribuição exigido por lei.

Foi o caso, por exemplo, da artesã Helena Maria da Conceição. Com 62 anos e moradora de Planaltina, ela achava que já podia se aposentar. Se o requisito fosse só a idade, poderia mesmo. A lei determina que a aposentadoria por idade seja concedida, na área urbana, à mulher que completar 60 anos e ao homem com 65 anos. Acontece que no cadastro da Previdência Social só constava em nome de Helena dois anos de contribuição dos 15 anos exigidos. Ela saiu frustrada do posto sem o tão sonhado documento que lhe permitiria ter um salário mínimo por mês.

“Trabalhei toda a minha vida, inclusive como doméstica e sempre paguei todos os impostos que o governo cobra”, disse Helena. Chateada, ela contou que não tem como comprovar nem pagar esses 13 anos que faltam. “Vou morrer sem conseguir a aposentadoria”, declarou. Na agência que Helena foi atendida, muitos outros trabalhadores aguardavam sua vez. A maioria deles não tinha feito qualquer agendamento e buscavam informações sobre diversos benefícios ou correções de dados. Márcio Antônio Pereira dos Santos só queria consertar o número do CPF, que saiu errado na concessão do auxílio-doença. “Sem isso não vou conseguir receber”, disse.

A gerente executiva do INSS no Distrito Federal, Ildinê Dias Macedo, disse que Brasília tem uma peculiaridade. Como grande parcela dos trabalhadores é composta por servidores públicos, a demanda número um dos postos de atendimento é a certidão de tempo de contribuição. “Com esse documento eles averbam o tempo de contribuição da iniciativa privada no serviço público para efeito da aposentadoria “, explicou Ildinê.

A aposentadoria por idade urbana em 30 minutos só foi possível depois que o governo alterou o regulamento da Previdência Social, possibilitando o reconhecimento automático de direitos. Até então, o ônus da prova cabia ao trabalhador, o que o obrigava a ir a uma agência de atendimento portando vários documentos, especialmente a carteira de trabalho. Agora a Previdência pode utilizar o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) e, com base nas informações cadastrais registradas, verificar se o trabalhador preenche os requisitos necessários e conceder a aposentadoria.

EM 30 MINUTOS
Como obter sua aposentadoria sem precisar levar documentos comprobatórios

Aposentadoria por idade — trabalhador urbano
Desde ontem está valendo a concessão da aposentadoria por idade para o trabalhador urbano em meia hora.

Como fazer
Para obter a aposentadoria por idade o trabalhador urbano tem que ter 65 anos (homem) e 60 anos( mulher) e contar com pelo menos 15 anos de contribuição à Previdência Social.

Agendamento
Para evitar filas e demora de horas no atendimento, o trabalhador que preencher os requisitos acima deve ligar no número 135 e agendar o atendimento no posto de benefícios do INSS mais próximo de sua casa.

O que levar
Apenas a carteira de identidade e o CPF. Mais documentos só serão pedidos se o trabalhador notar que existem lacunas nos registros dos seus vínculos empregatícios ou de suas contribuições. Nesse caso ele terá que solicitar a inclusão de dados, comprovando novos vínculos ou contribuições, geralmente com a carteira de trabalho ou o carnê de pagamento ao INSS.

Aposentadoria por tempo de contribuição
A Previdência Social promete para o mês de março também passar a conceder a aposentadoria por tempo de contribuição para os trabalhadores urbanos em 30 minutos sem a necessidade de prova por parte do trabalhador.

Aposentadoria rural
Está programado para o mês de julho o início da concessão da aposentadoria rural em 30 minutos.

Férias: consumidor pode suspender serviços de TV por assinatura quando for viajar

InfoMoney

SÃO PAULO – Muita gente não sabe, mas, durante a viagem de férias, o consumidor pode solicitar, sem nenhum custo, a suspensão do serviço de TV por assinatura durante o período que estará fora.
A medida, que é um direito do assinante de TV paga, está prevista na Resolução Normativa 488, de 3 de dezembro de 2007, segundo informa o Ibedec (Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo).
Segundo o texto da resolução, uma vez a cada 12 meses, o assinante pode suspender o serviço pelo prazo mínimo de 30 dias e máximo de 120 dias, sem qualquer custo. Ao final do período, o sinal poderá ser restabelecido, também sem ônus, sendo que a operadora terá 24 horas para religar o serviço.

Baixa utilização

De acordo com o Instituto, muitos consumidores ainda não estão familiarizados com as regras da resolução e deixam de exercer seus direitos, o que explicaria a baixa utilização do benefício, apesar da opção estar disponível por mais de um ano.
Procuradas, as empresas de TV por assinatura Net, Sky e TVA, por meio de suas respectivas assessorias de imprensa, informaram não possuir dados sobre o percentual de clientes que solicitam o serviço.

Outros benefícios

A Resolução 488 traz ainda outros benefícios ao consumidor. Um exemplo é a determinação para que não haja obrigação de fidelização, por parte do cliente, na hora de contratar os serviços de determinada prestadora.
Para o Ibedec, a fidelização só é recomendável quando o assinante tem a certeza de que não irá rescindir o contrato antecipadamente ou que os benefícios oferecidos compensam o tempo estipulado de carência.

Aposentadoria será concedida em meia hora

Estadão
Isabel Sobral, BRASÍLIA

Novo sistema do INSS começa a valer para solicitação do benefício por idade a partir de segunda-feira
A partir de segunda-feira, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) promete começar a conceder aposentadorias no prazo de apenas 30 minutos depois da solicitação. Os primeiros beneficiados serão os trabalhadores urbanos que tiverem direito ao benefício por idade, que exige mínimo de 60 anos para mulheres e 65 anos para os homens, além de pelo menos 180 contribuições mensais ao INSS, o que equivale a 15 anos.Hoje, a média de tempo nacional para concessão de todos os benefícios previdenciários é de 21 dias.

O INSS não divulgou uma estatística de tempo de espera específica para as aposentadorias por idade. A redução no tempo de concessão, se confirmada, vai abrir mais espaço para as agências da Previdência aumentarem o número de atendimentos diários. De acordo o INSS, 2.016 segurados em todo o País estão agendados para solicitar o benefício na próxima segunda-feira, dia 5 de janeiro. Somente no Estado de São Paulo são 438. A estimativa é que os números dobrem.

A expectativa do governo é que, a partir de março deste ano, a mesma celeridade seja aplicada nos pedidos dos trabalhadores urbanos que pedirem aposentadoria por tempo de contribuição e, a partir de julho, para os trabalhadores rurais que pedirem por idade.

Essa mudança no atendimento será possível após a regulamentação da lei que prevê o reconhecimento automático de direitos dos segurados, eliminando a obrigação do INSS de exigir comprovantes dos trabalhadores mesmo quando os dados eletrônicos já estão disponíveis no sistema informatizado.

O Decreto 6.722, publicado ontem em edição extra do Diário Oficial da União, regulamentou a autorização para que o INSS utilize toda a base de dados certificados do Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) como comprovante do direito ao benefício. Com isso, a lei permitiu a inversão do ônus da prova, que era do trabalhador.

A nova regra está prevista na lei que criou a figura do Microempreendedor Individual aprovada pelo Congresso Nacional em dezembro passado e sancionada em seguida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O INSS ainda terá de publicar uma instrução normativa para a mudança passar a vigorar, o que é esperado para esta segunda-feira.

O Decreto 6.722 ainda regulamentou a criação de um cadastro de dados dos segurados especiais da Previdência que são os produtores da agricultura familiar, pescadores artesanais, seringueiros, bem como cônjuges e filhos destes.

Será o primeiro cadastro de segurados rurais existente no INSS. O instituto fechou parcerias com entidades representativas dos trabalhadores rurais, como a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e a Via Campesina, para pesquisar os dados, que serão usados na montagem do cadastro até julho de 2009.

Variação da glicemia está ligada à perda de memória

NYT, Nova YorkEstadãoSegundo uma pesquisa do Centro Médico da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, as variações do nível de açúcar no sangue afetam a memória porque agem sobre uma área do cérebro pertencente ao hipocampo – responsável por auxiliar a memória. O estudo, financiado em parte pelo Instituto Nacional do Envelhecimento, foi publicado na edição de dezembro da Annals of Neurology.
Os pesquisadores afirmam que os efeitos podem ser constatados sempre que os níveis de açúcar no sangue são apenas moderadamente elevados. A conclusão pode ajudar a explicar o relação da idade com o declínio cognitivo, uma vez que o controle da glicemia piora com o envelhecimento.
Foram utilizados exames de ressonância magnética para mapear o cérebro de 240 pacientes idosos.”Se nós concluímos que isso está relacionado com o declínio cognitivo relacionado à idade, então isso pode afetar todos nós”, disse o coordenador da pesquisa, Scott Small, professor de neurologia da Universidade Columbia.
A capacidade de regulação da glicose começa a deteriorar por volta da terceira ou quarta década de vida.
Uma vez que o controle da glicose melhora com a realização de atividades físicas, “nós temos uma recomendação comportamental: fazer exercícios”, afirma o médico.

Receita estende redução de IPI para carros adquiridos diretamente da fábrica

Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
Brasília – O consumidor que comprar veículos diretamente da fábrica também será beneficiado com a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Um decreto publicado hoje (2) em edição extraordinária do Diário Oficial da União estende o benefício a quem, por exemplo, adquire carros por meio da página da montadora na internet.
Segundo a Receita Federal, o decreto foi necessário porque não estava claro se a redução das alíquotas do IPI na compra de veículos, anunciada pelo governo no mês passado, estava limitada às aquisições nas revendedoras.
De acordo com o órgão, quem efetuou a compra na fábrica, mas ainda não recebeu o veículo, pagará menos IPI. O consumidor que já tomou posse do automóvel, no entanto, não terá direito ao desconto.
O decreto também reduziu em 50% o IPI na aquisição de veículos do modelo Kombi, que não havia sido contemplada com a desoneração.
No início do mês passado, a equipe econômica anunciou a redução do IPI na compra de veículos para estimular as vendas da indústria automotiva, que haviam sido prejudicadas com a restrição do crédito após o agravamento da crise internacional. Para carros populares, de até 1 mil cilindradas, a alíquota caiu para zero.

Poupador terá mais tempo para receber perdas do Plano Verão

Paula Laboissière – Repórter da Agência Brasil
Brasília – Por conta do recesso de fim de ano, período em que a Justiça não funcionou, o prazo para que os poupadores que se sentiram lesados possam receber as perdas causadas pelo Plano Verão foi estendido até a próxima segunda-feira (5).
Para dar início ao processo, o poupador precisa ter em mãos os extratos da caderneta de poupança dos meses de janeiro e fevereiro de 1989 – a correção é de 10,36% sobre o saldo mantido na época. É necessário apresentar ainda cópias da carteira de identidade e do CPF, além de comprovantes de residência.
Se o poupador não tiver os extratos, a orientação é ir a qualquer agência do banco onde mantinha a conta e fazer o pedido do documento.
Para os que possuíam conta na Caixa Econômica Federal (CEF), a ação deverá ser apresentada na Justiça Federal ou no Juizado Especial Federal, caso o valor a ser ressarcido seja menor que 60 salários mínimos.
No caso de contas mantidas em outros bancos, a ação deverá ser ajuizada na Justiça Comum. Se o valor a ser recebido for menor que 20 salários mínimos, o interessado pode procurar ainda o Juizado de Pequenas Causas.
O Plano Verão foi instituído em janeiro de 1989 e determinou que os saldos das cadernetas de poupança fossem atualizados com base no rendimento acumulado das Letras Financeiras do Tesouro (LFT) e não mais pelo Índice de Preço ao Consumidor (IPC).
A medida fez com que os bancos não creditassem a diferença devida no percentual de 20,46% nas cadernetas de poupança com aniversário entre 1º a 15 do mês de fevereiro de 1989.

Governo federal vai equiparar aposentadoria do servidor público

O Dia Coluna do Servidor
Alessandra Horto
Idéia é impor limites ao novos

Rio – O governo federal vai aproveitar que não haverá eleições neste ano para equiparar a aposentadoria do servidor público com a do trabalhador privado. O projeto de lei igualando regras, entre elas a limitação do valor da aposentadoria ao máximo de 10 salários mínimos, valerá só para quem ingressar no serviço público após a promulgação da lei. Não será aplicada aos que estão na ativa hoje, que continuarão se aposentando com o último salário, quase sempre muito acima do teto do INSS. Como as Forças Armadas contam com regime previdenciário próprio, quem ingressar no Exército, na Marinha e na Aeronáutica ficará de fora da mudança.

Entre novos e antigos, haverá uma faixa intermediária daqueles que ingressaram no serviço público desde 1º de janeiro de 2004 — data da implementação da reforma previdenciária do Governo Lula —, que poderão optar entre a regra atual ou a nova. A nova regra implica contribuir para o INSS com até 11% sobre o teto de 10 mínimos e aplicar o excedente no fundo de previdência complementar da União. “A intenção é aproveitar o ano não- eleitoral e aprovar o projeto em 2009, a tempo de implementá-lo em 1º de janeiro de 2010”, declarou o secretário de Previdência Social, Helmut Schwarzer, ao defender a mudança em junho do ano passado.

Não haverá perdas para os funcionários atuais. Para eles, não serão alteradas as regras de cálculo da contribuição e dos benefícios. O peso das mudanças recairá sobre os que ingressarem no serviço público a partir de 2010, que passarão a receber aposentadorias e pensões equivalentes ao que ganham trabalhadores privados.

Conta-salário será estendida a todos os trabalhadores da inciativa privada

Agência Brasil

Brasília – A partir de hoje, todos os trabalhadores da inciativa privada poderão receber o salário em contas livres de taxas ou impostos e não estarão obrigados a ter conta corrente em banco indicado pelo patrão. As regras foram editadas pelo Banco Central (BC) em 2006.

A primeira fase de implementação da norma entrou em vigor em abril de 2007, mas só atingiu empresas que tinham fechado contratos com bancos para pagamento da folha antes de 5 de setembro de 2006, data da resolução do BC. Agora, os contratos negociados com os bancos antes dessa data também estarão sujeitos às regras.

Pelas regras, o vencimento será obrigatoriamente depositado numa conta-salário, em banco escolhido pelo patrão. E o trabalhador poderá resgatar ou mesmo transferir o dinheiro para o banco de sua escolha, sem custos.

A chamada conta-salário não tem taxa de manutenção, nem de emissão de cartão de débito. No entanto, o cliente fica sem direito a talão de cheques e não pode receber outros depósitos além do salário. Além disso, são autorizados apenas cinco saques e dois extratos por mês sem cobrança de tarifa. Para transferir o valor total, de uma única vez, para outra conta, não há cobrança de DOC ou TED. No caso de transferências parciais, as taxas incidem normalmente a partir da segunda operação.

Os servidores públicos terão que esperar mais pelo direito à escolha do banco para recebimento em conta-salário. Para eles, a medida só entra em vigor a partir de 2012.

Idosos em geral se sentem 13 anos mais jovens, diz estudo

France Presse
WASHINGTON (AFP) – Idosos, principalmente homens, sentem-se com freqüência mais jovens do que são, 13 anos em média, revelou um estudo sociológico divulgado no “Journals of Gerontology”.
O estudo foi realizado pelo Max Planck Institute for Human Development, de Berlim, e sua principal autora, Jacqui Smith, é professora de Psicologia na Universidade de Michigan (norte dos EUA).
Na pesquisa, foram entrevistados 516 homens e mulheres de 70 anos, ou mais, durante um período de seis anos.
“As pessoas se sentem, em geral, muito mais jovens do que são. Talvez a sensação de ser 13 anos mais jovem seja a melhor ilusão da velhice”, disse o especialista.
Os homens se vêem normalmente mais jovens do que as mulheres.
“As mulheres se vêem quatro anos mais velhas do que os homens. Uma das prováveis razões é que as mulheres são, em geral, mais conscientes de sua aparência do que os homens, especialmente com todos os estereótipos negativos sobre a velhice”.
Os homens pareciam mais satisfeitos com sua idade do que as mulheres no início do estudo, mas ao longo da investigação, após seis anos, sua satisfação cai mais rapidamente do que no grupo feminino.
Em um complemento de pesquisa ainda não publicado, os autores descobriram que as pessoas que se sentem mais jovens tinham menos riscos de morrer, do que as que se sentem velhas, em idades e condições de saúde equivalentes.
“Manter-se positivo quanto ao fato de envelhecer pode muito bem ser associado ao fato de que continuar ativo preserva a saúde quando estamos velhos”, afirmou Smith.